Ultrassom que detecta falhas invisíveis em isoladores. Torres até 26% mais leves. Risco térmico calculado por probabilidade, não mais por limites fixos. Esses foram os três trabalhos que o Cepel levou ao II Encontro Nacional de Inspeção de Linhas de Transmissão (ENILT), realizado em 9 e 10 de junho, em Minas Gerais.
Representando o Centro, Arthur de Castro Ribeiro, da Gerência de Serviço de Campo, e Carlos Kleber da Costa, da Gerência de Gestão de Ativos, apresentaram três trabalhos que abordam diferentes etapas do ciclo de vida das linhas de transmissão. Apesar de tratarem de temas distintos, todos apontam para uma mesma direção: linhas mais eficientes, inteligentes e orientadas por dados.
Enxergando defeitos antes que eles se tornem falhas
Imagine um equipamento ou material aprovado em todos os ensaios de norma, instalado em campo e que, mesmo assim, apresenta falhas muito antes do esperado.
Esse é um dos desafios enfrentados atualmente com isoladores poliméricos utilizados em linhas de transmissão. Além da ocorrência de falhas prematuras, o setor convive com estoques de equipamentos cuja confiabilidade nem sempre pode ser garantida apenas pelos métodos tradicionais de avaliação.
Para enfrentar esse problema, Arthur de Castro Ribeiro apresentou um estudo que utiliza ultrassom para identificar anomalias internas invisíveis aos ensaios convencionais. A pesquisa avaliou 15 lotes de isoladores e analisou mais de 14 mil pontos de inspeção, com resultados que demonstraram 89% de assertividade na identificação de danos no núcleo dos isoladores e 91% na detecção de problemas de centralidade.
O trabalho propõe uma metodologia completa de avaliação e classificação de risco, permitindo identificar materiais potencialmente problemáticos antes que provoquem impactos operacionais. Na prática, isso significa maior confiabilidade dos ativos, redução de custos com substituições desnecessárias e menor risco de indisponibilidade das linhas.