O setor elétrico brasileiro atravessa um período de discussões intensas sobre a formação de preços e a previsibilidade operativa. Nesse cenário, a participação do Cepel no Norus Summit 2026, nos últimos dias 16 e 17 de abril, em Florianópolis, focou em estabelecer um canal direto com os agentes para endereçar as principais dores do mercado e apresentar as evoluções em curso nos modelos computacionais.
Atualmente, dois pontos têm gerado incertezas entre os reguladores e comercializadores: a sensibilidade do modelo NEWAVE a variações nos dados de entrada e a ocorrência de picos de preço no DESSEM. Essas questões impactam a percepção de risco e a segurança nas operações de mercado, exigindo respostas que equilibrem robustez matemática e realidade operativa.
Para responder a esses desafios, o pesquisador André Diniz detalhou as ações que o Cepel está movendo para ampliar a robustez da convergência do NEWAVE e apresentou um exemplo didático que justifica porque o custo marginal de operação – uma das principais saídas do modelo DESSEM – pode resultar em valores mais elevados do que o custo da térmica mais cara despachada. Outro avanço central é o status dos testes com o solver Gurobi no DESSEM, além da modelagem de unit commitment hidráulico. São inovações focadas em entregar mais exatidão e reduzir a volatilidade técnica para quem opera no sistema.
“O Cepel está sempre aprimorando e incorporando novas funcionalidades aos modelos energéticos para atender às necessidades do setor. No caso da convergência do modelo NEWAVE, estamos bem avançados em um aprimoramento na metodologia da PDDE, referente à reamostragem dos cenários backward, visando trazer maior robustez aos resultados com a mesma ordem de grandeza de tempo computacional da metodologia atual”, destaca André Diniz.
Clique aqui e confira a apresentação de Diniz na íntegra.
Além de Diniz, também estiveram presentes, representando o Cepel, Rodrigo Régis, diretor de Negócios e Laboratórios, Ana Paula Calil, gerente executiva da Unidade de Negócios de Modelos, e a pesquisadora Cristiane Cruz, que levaram ao evento um posicionamento de escuta ativa e transparência técnica.
Diálogo e confiança: o papel do Cepel como elo setorial
“A participação do Cepel no Norus Summit foi muito produtiva. Aproveitamos nossa presença para nos posicionar em relação a temas que hoje estão no centro do debate do setor elétrico, em especial a tendência de atribuir, de forma simplista, os desafios do mercado aos modelos de formação de preço. Além disso, tivemos a oportunidade de interagir com diferentes agentes e instituições. Esse tipo de troca reforça a importância de ampliarmos nossa comunicação, evidenciando a competência do Cepel em diversas frentes e fortalecendo nossa atuação como fornecedor de soluções em energia”, avalia Ana Paula Calil.
A presença no Norus Summit marca mais uma etapa na estratégia de abertura e transparência do Cepel. Ao alinhar os avanços das pesquisas com as necessidades imediatas dos agentes, o Centro reafirma que a evolução dos modelos eletroenergéticos é um processo contínuo e colaborativo, focado em garantir a solidez técnica necessária para o crescimento e a estabilidade do setor elétrico brasileiro.
Entenda a PDDE
A sigla significa Programação Dinâmica Dual Estocástica, o método matemático por trás do modelo de planejamento da operação de médio prazo (NEWAVE).
- Programação Dinâmica: Resolve o problema em etapas de tempo.
- Estocástica: Lida com incertezas (como os cenários de chuvas).
- Dual: Utiliza a teoria da dualidade para estimar o valor futuro das decisões através de aproximações sucessivas.
Em resumo, a PDDE auxilia na tomada de decisões sobre como usar a energia hoje sem comprometer o amanhã.