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Treinamento sobre SINV apresenta nova funcionalidade

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Treinamento sobre SINV apresenta nova funcionalidade

09-08-2018

O Departamento de Otimização Energética e Meio Ambiente (DEA) realizou, entre 10 e 12 de julho, o treinamento sobre o sistema SINV, ferramenta desenvolvida pelo Cepel para auxiliar a elaboração dos estudos de inventário hidroelétrico. Em sua versão atual, 6.2, o sistema traz uma nova funcionalidade para auxiliar a tomada de decisão na definição de alternativas de exploração do potencial hidrelétrico de uma bacia.


De acordo com o pesquisador Igor Raupp, gerente do projeto SINV, existem alternativas de exploração do potencial hidrelétrico da bacia que estabelecem um limite de geração de energia menor do que o potencial máximo da bacia. “A diferença entre a energia gerada pela alternativa e o máximo que poderia ser explorado na bacia é chamada de complementação energética, uma vez que, abrir mão deste potencial hidrelétrico pode ter como consequência gerar, no futuro, esta quantidade de energia por outra fonte ou por hidrelétrica em outra bacia. Como esta complementação energética futura também possui impactos negativos, estes devem ser contabilizados na tomada de decisão para escolha da melhor alternativa de exploração da bacia em análise. Nessa nova versão do SINV, esses impactos socioambientais negativos passam a ser considerados também”, ressalta.


O Estudo de Inventário é a primeira análise a ser realizada para decidir como será o aproveitamento do potencial hidroelétrico de uma bacia hidrográfica, isto é, para decidir quantos projetos são viáveis e quanto de energia cada um deles poderá gerar.
Bastante útil para a tomada de decisão referente a estudos energéticos, socioambientais e para comparação e seleção de alternativas de divisão de quedas com base na metodologia descrita no Manual de Inventário, o SINV é utilizado como ferramenta oficial pelo MME, Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


“Dentre as vantagens de utilização do SINV, podemos mencionar várias facilidades, tais como: na seleção da melhor alternativa de divisão de quedas - uma vez que se obtêm os índices para a análise multiobjetivo em um mesmo sistema -, na escolha da alternativa mais robusta, na análise do Estudo de Inventário pelo órgão responsável por sua aprovação, na importação/exportação de casos - permitindo que equipes distintas trabalhem em paralelo-, e no armazenamento de dados para futuras revisões dos Estudos de Inventário”, assinala Igor.


Além de Igor, integraram a equipe de instrutores do treinamento os pesquisadores do DEA Priscilla Chan, responsável pela parte prática do curso, Denise Mattos, que apresentou os impactos socioambientais negativos, e Alexandre Mollica, que abordou os potenciais impactos socioambientais positivos na avaliação multiobjetivo da melhor alternativa de divisão de quedas de aproveitamentos de usinas hidrelétricas.


De acordo com a metodologia utilizada, esses impactos positivos se dividem em quatro aspectos, segundo Alexandre: arrecadação municipal; mercado de trabalho local; melhoria da infraestrutura viária e uso racional dos recursos hídricos, explica o pesquisador.


“A arrecadação municipal trata dos aumentos de receitas para os municípios diretamente atingidos pelos reservatórios, em função de compensação financeira e/ou arrecadação de impostos. O mercado de trabalho local trata dos empregos diretos que devem ser gerados em virtude das obras de construção das usinas hidrelétricas; a infraestrutura fala sobre o benefício de expansão e melhoria na malha rodoviária que atende às cidades próximas aos projetos devido à necessidade de melhoria de acesso aos canteiros de obras; e o uso racional dos recursos hídricos abrange os benefícios indiretos que a construção de um reservatório de uma usina hidrelétrica pode trazer para outros usos dos recursos hídricos, tais como: abastecimento público, irrigação, navegação, controle de cheias, aquicultura, turismo e lazer”, elucida Alexandre.


Estudo de inventário binacional da bacia do rio Madeira


Participaram do treinamento representantes da Eletrobras, da EPE e da estatal boliviana Empresa Nacional de Electricidad (Ende). Estes, em função do início do estudo de inventário binacional da bacia do rio Madeira, que está sendo realizado em parceria com a Eletrobras desde março deste ano.


A previsão é de que os estudos de inventário sejam realizados no prazo de 18 meses, seguindo as normas do Manual de Inventário Hidroelétrico de Bacias Hidrográficas, da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9433/97) do Brasil, além da legislação local boliviana.


Como explica Igor, o estudo visa definir a melhor maneira de aproveitar o potencial hidrelétrico da bacia do rio Madeira. O pesquisador assinala que, na Bolívia, ainda não são realizados estudos que considerem todos os possíveis aproveitamentos hidrelétricos a serem implantados dentro de uma mesma bacia hidrográfica. Existe apenas uma pré-viabilidade, mas que analisa um único aproveitamento hidrelétrico e não a bacia como um todo.


Igor acrescenta que é a segunda vez que a Ende participa de treinamento sobre o SINV. A primeira foi em 2016, quando Brasil e Bolívia estavam começando as discussões para o início do projeto.