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Sistema do Cepel para combate a perdas não técnicas na distribuição ganha mais uma importante patente

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Sistema do Cepel para combate a perdas não técnicas na distribuição ganha mais uma importante patente

27-07-2018

O Escritório de Patentes e Marcas Comerciais dos Estados Unidos acaba de conceder ao Cepel registro de patente pelo sistema de automonitoramento individualizado para transformadores em instalações de medição de energia e método de automonitoramento e diagnóstico de transformadores em instalações de medição de energia. Solução inovadora, o sistema é voltado ao combate às perdas não técnicas, problema que afeta grande parte das distribuidoras de energia no Brasil e também em diferentes regiões do mundo.


Inventado pelos pesquisadores do Departamento de Tecnologias da Distribuição Luiz Carlos Grillo de Brito, José Eduardo da Rocha Alves Jr., Cesar Jorge Bandim, Julio Cesar Reis dos Santos e Fabio Cavaliere de Souza, atual assistente da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Cepel, o sistema já havia tido sua patente concedida no Brasil, na Europa e em diversos países da América Latina.


“A concessão da patente nos Estados Unidos confirma o potencial da solução proposta pelo Cepel, abrindo a possibilidade para que seja explorada comercialmente no combate às perdas não técnicas no Brasil e no exterior. Diferente do que ocorreu nos outros países, esta concessão obrigou-nos a árdua tarefa de opor-nos tecnicamente às contestações feitas pelo examinador americano a fim de que prevalecesse o entendimento de que a solução por nós proposta era de fato inovadora e reunia as condições necessárias para ser patenteada em território americano. Houve necessidade de chegarmos até a última instancia recursal no escritório de patentes americano, mas ao final saímos vitoriosos”, ressalta o pesquisador Cesar Bandim.


Segundo dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), o total das perdas não técnicas na distribuição no Brasil representava, em 2016, cerca de 6,1% da energia injetada; e o montante de despesas, contabilizadas como perdas não técnicas, já ultrapassava, em 2017, o valor de R$ 4,5 bilhões de reais. Essas perdas têm impacto direto nas tarifas cobradas aos consumidores finais, e vêm demandando especial atenção do órgão regulador e dos respectivos agentes na busca de soluções para equacioná-lo.


“O combate às perdas não técnicas, também conhecidas como perdas comerciais, requer o uso cada vez maior de tecnologia, de forma a monitorar e identificar unidades de consumo, nas quais, por defeito ou ação fraudulenta, ocorra o subfaturamento da energia elétrica consumida. Sobretudo em unidades que possuem potências instaladas elevadas, que fazem uso de transformadores para instrumentos para medição de faturamento, seja em uso conjunto de transformadores de potencial e transformadores de corrente, seja em uso de transformadores de corrente somente”, assinala o pesquisador José Eduardo.


Contudo, de acordo com José Eduardo, os transformadores de corrente ou potencial para medição operacional ou de faturamento atuais não possuem, internamente, qualquer informação de monitoramento que possibilite verificar, de forma efetiva e permanente, se o sinal elétrico fornecido aos medidores, ou outros instrumentos externos, está sendo adequadamente transferido durante sua operação no campo.


Além disso, de acordo com o pesquisador Luiz Carlos Grillo, o sistema proposto é capaz de monitorar não somente o sinal de saída, mas também o próprio medidor de energia elétrica, inclusive eventuais alterações de hardware ou de software que resultem em registro de consumos a menor, produzidas por defeito, falha ou ação irregular do consumidor.


Aplicação do sistema


Neste contexto, o objetivo principal da invenção é prover um sistema de automonitoramento para transformadores de corrente e/ou de potencial e medição de energia elétrica associado, capaz de comprovar eventuais artifícios para provocar o subfaturamento de energia elétrica consumida, pois apresenta registro permanente e inviolável da integração da corrente e da tensão ao longo do tempo.


A aplicação do produto abrange unidades consumidoras que possuam medição indireta, centenas de milhares no Brasil (em geral consumidores da classe industrial e/ou comercial). “Cumpre ressaltar que o segmento citado representa uma parcela de consumidores que não são objeto de complexidade social e programas voltados para baixa renda. Neste sentido, a relevância de se reduzirem as perdas não técnicas é ainda mais premente”, pontua José Eduardo.


A ideia consiste na operacionalização de um medidor integrador dentro do invólucro dos transformadores de corrente e de potencial. O novo instrumento poderia, então, ser instalado externamente à unidade consumidora ou no cubículo de medição interno. Os valores integrados dentro do dispositivo poderiam ser comparados aos valores integrados dentro do medidor de energia já existente na instalação. Qualquer diferença seria enviada à concessionária, especificamente ao seu centro de controle de medição, já existente em várias concessionárias brasileiras.

 

Próximos passos


De acordo com Bandim, a equipe prossegue trabalhando para que a invenção seja, agora, industrializada e comercializada, gerando benefícios às distribuidoras de energia, à sociedade brasileira e ao próprio Cepel.


Nesse sentido, o Centro está iniciando um projeto de P&D Aneel, cujo cliente é a Light. O objetivo é demonstrar, em campo, o desempenho da invenção, bem como desenvolver uma versão pré–industrial de um dos principais equipamentos do sistema, o Transformador de Corrente Auto-Monitorado (TCAM).