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Semana do Meio Ambiente do Cepel trouxe como tema a Economia Circular

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Semana do Meio Ambiente do Cepel trouxe como tema a Economia Circular

19-06-2018

A 3ª Semana do Meio Ambiente do Cepel (3ª SMAC) teve como foco temático a Economia Circular, um conceito que propõe mudanças na forma de produzir e consumir. Promovida pelo Comitê de Sustentabilidade do Centro, a SMAC 2018 aconteceu, entre 05 e 08 de junho, nas unidades Fundão e Adrianópolis.

 

Como assinala a coordenadora do Comitê de Sustentabilidade, pesquisadora Katia Garcia, a Economia Circular é uma importante questão atual. Ela explica que o Cepel e a Eletrobras estão bastante envolvidos com o tema, tanto por meio de projetos de pesquisa, quanto por meio de discussões em Grupos de Trabalho nos Comitês de Meio Ambiente e de Responsabilidade Social da Holding.

 

“Uma prova disto é o Projeto EcoCepel que vem, há dez anos, avançando no tema gestão de resíduos e ampliando a coleta e a destinação não apenas dos resíduos da empresa, mas, também, daqueles provenientes das nossas residências, possibilitando sua transformação em matéria- prima para outros produtos e aplicações, dando a destinação correta e mais sustentável do ponto de vista da Economia Circular”, afirma Katia.

 

“A Campanha Recrie, Responsabilidade Ecológica Criativa, lançada em junho de 2017, durante a 2ª SMAC, complementa Katia, visou fortalecer ainda mais o projeto EcoCepel, focando nos sete Rs – Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reaproveitar, Reciclar, Recusar e recuperar – em prol de um único objetivo: a sustentabilidade”.

 

De acordo com a pesquisadora, a campanha que mobilizou os colaboradores e colaboradoras do Centro por meio de ações mensais ao longo de 2017 e parte de 2018, procurou estimular a conscientização sobre princípios da Economia Circular. “A elaboração da cartilha Recrie, lançada no primeiro dia da SMAC 2018, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi uma demanda de alguns empregados. O documento pode ser baixado diretamente na intranet do Cepel, podendo ser utilizada para ações de educação ambiental no Centro”.


Confira, abaixo, como foi a 3ª SMAC.

 

Consumo mais responsável

 

A origem do conceito Economia Circular é atribuída, por muitos acadêmicos, ao economista britânico Kenneth Boulding, que, em 1966, publicou o artigo “The economics of coming spaceship earth”. A explicação é da estudante de Engenharia Ambiental da UFRJ Érika Rocha Guimarães, estagiária do Departamento de Logística e Operações (DLO) do Cepel, que palestrou sobre o tema (Unidade Fundão).

 

“Boulding entende que a Economia Circular é uma economia que pensa no planeta Terra como se fosse uma nave espacial. Tudo que se passa aqui dentro [no planeta] vai gerar impactos aqui dentro. Então, ‘não tem essa’ de vou jogar o lixo fora. Você está jogando o lixo dentro. Se não for a gente, a próxima geração vai ter que cuidar desse problema.”

 

Para o economista, a humanidade precisa encontrar o seu lugar num sistema ecológico cíclico para um consumo mais responsável. Este conceito se contrapõe à Economia Linear, em que estamos acostumados a atuar. Érika fala a respeito. “Na Economia Linear, o homem explora os recursos naturais para gerar uma matéria-prima que vai ser manufaturada e distribuída como produto. Depois de consumido, este produto vai ser simplesmente descartado. Na Economia Circular, não. A fonte dos materiais pode vir da natureza ou da reciclagem. O design do material é pensado para que seja aproveitado ao máximo. O produto vai ser confeccionado e distribuído, mas o consumo vai ser diferente. Será usado, reutilizado, reparado, se necessário, e descartado de forma seletiva, focando a reciclagem e reduzindo, ao máximo, o resíduo gerado.”

 

Como ressalta Érika, algumas mudanças de hábitos podem ajudar na adequação à Economia Circular. A estudante enumera vários exemplos, dentre eles o que podemos mudar na hora de fazer um simples café. A preferência deve ser por uma cafeteira que gere o mínimo de resíduo, a exemplo da italiana. “Neste caso, o único resíduo gerado é o café, que pode ser usado como pesticida natural nas plantas”. Sobre a cafeteira de cápsulas, bastante comum hoje em dia, ela diz que as cápsulas não são facilmente degradadas por serem compostas de plástico e metal, devendo ser descartadas nos pontos de coleta disponibilizados pelas empresas que fabricam este tipo de cafeteira.

 

Ao mencionar o descarte correto do óleo de cozinha usado, que, se jogado na pia, além de poluir, pode incrustar a tubulação, Érika lembrou ao público presente que o Cepel tem um ponto de coleta no restaurante. Basta armazenar o óleo numa garrafa pet e depois trazer para o Centro. O óleo recolhido será direcionado a uma empresa, para ser transformado em sabão ou biodiesel.

 

Não, ao desperdício. Sim, à criatividade!

 

A artista plástica Lina d’Melo sempre ficou incomodada com o não aproveitamento das coisas. Uma herança da família de imigrantes que viu na necessidade uma motivação para reutilizar. De três anos para cá, o trabalho ganhou impulso, e a inventividade vem fazendo de resíduos urbanos, como fundos de latinhas de alumínio, tecidos, banners e sacolas plásticas, matéria-prima para peças de roupa, bijuterias, nécessaires, e por que não joguinhos americanos?

 

Joguinhos americanos confeccionados a partir de sacolas plásticas e barbante. Um produto muito simples, prático, barato e sustentável. A experiência foi compartilhada na oficina que Lina apresentou durante a SMAC 2018 (Unidade Fundão). Ela fala sobre a prática de transformar o que muita gente considera ‘lixo’ em peças de decoração, vestuário e utilidade doméstica. Uma ação que, além de incentivar a conservação do meio ambiente, pode gerar renda para muitas pessoas.

 

“No Rio de Janeiro, temos uma quantidade enorme de resíduo urbano. Transformamos este resíduo em peças diferenciadas, de qualidade. Há muito a se explorar, são muitas as possibilidades de reuso”, diz Lina, que também dá aulas de arte sustentável no Sesc e no Senai.

 

Para a artista plástica, que recentemente ganhou moção como representante do artesanato no estado do Rio de Janeiro, um dos principais empecilhos para o fomento às atividades voltadas ao artesanato no país ainda é a discriminação. “Nitidamente, boa parte dos brasileiros ainda qualifica o artesanato como um hobbie ou uma terapia para a mulher. Os homens artesãos, estes são muito poucos, assim como os produtos artesanais voltados a eles”.

 

 

Também na linha do upcycling - processo de criar algo novo a partir de itens antigos ou descartados - , a estilista Hanna Tomaz aproveita o tecido de roupas encontradas em brechós para conceber os produtos de sua marca, a Calma91!



As motivações para este tipo de trabalho são várias, como explicou Hanna em sua palestra sobre Economia Circular na Moda (Unidade Fundão). “Venho de uma família de costureiras; meus pais tinham confecção. Eu sempre gostei de comprar minhas roupas em brechós. Além disso, a indústria da moda polui muito, gera muito resíduo. Reaproveitando roupas, poupamos um pouco a natureza e damos uma freada no ritmo de consumo”.

 

O resultado são produtos únicos, customizados e, principalmente, mais sustentáveis. Apesar de estar iniciando no ramo, Hanna mostra-se bem determinada em se dedicar cada vez mais ao slow fashion, ou seja, em produzir uma roupa boa, durável, atemporal, mais responsável social e ambientalmente.

 

Perguntada sobre o porquê da marca, Hanna pondera que a escolha foi aleatória, mas que a palavra ‘Calma’ serve como um alerta: “Calma, ao consumo”; “Calma, à produção acelerada”; “Calma, é possível reaproveitar”. Enfim, aplicável a uma infinidade de situações. Já o 91 é mais pessoal. É o ano de seu nascimento.

 

Em relação aos desafios do upcycling, a estilista diz que o principal ainda é vencer o preconceito. É preciso mudar de uma cultura que usa e joga fora para uma cultura que repensa, recria, reaproveita para redesenhar o futuro.

 

Sobre a questão dos resíduos gerados pela indústria da moda, a pesquisadora Katia Garcia acrescenta: “Não há um ranking preciso, mas observando todo o ciclo de vida da indústria têxtil e da moda, desde as culturas de algodão - que consomem uma enorme quantidade de água e terra para seu plantio e cultivo, além de pesticidas, inseticidas e herbicidas - , passando pela fabricação e tingimento de tecidos , até a geração de resíduos, é notório o impacto ambiental deste ramo”.

 

Do ponto de vista ambiental, a pesquisadora acrescenta que a remoção da cor do banho de lavagem é um dos grandes problemas do setor têxtil, associado aos efluentes gerados com elevada coloração. Dentre os impactos, podem-se citar a interferência nos processos fotossintéticos naturais nos leitos dos rios e em lagoas e a consequente alteração da biota aquática, além do comprometimento da qualidade da água utilizada para abastecimento humano.

 

“A ciência e a tecnologia têm auxiliado na melhoria dos processos, mas cada indivíduo também pode contribuir para uma mudança ainda maior. A cada dia, novas empresas surgem com produção têxtil a partir de matérias-primas orgânicas, sem uso de aditivos químicos, que priorizam a mão de obra local”, finaliza.

 

Documentários

 

No decorrer da SMAC 2018, foram exibidos dois documentários envolvendo Economia Circular: “The True Cost – the future is on sale”, somente em Adrianópolis. E “Demain”, em ambas as unidades.

 

Lançado em 2015, o francês “Demain” mostra pessoas comuns que desenvolvem projetos que contribuem para a preservação da Terra. Produzido por Melanie Laurent e Cyril Dion, o documentário apresenta dois protagonistas que viajam pelo mundo em busca de bases para um desenvolvimento sustentável, de “alternativas para a situação atual, de respostas baseadas em agricultura orgânica e urbana, na Economia Circular e em novas práticas democráticas e educacionais”.

 

Também de 2015, “The True Cost – the future is on sale”, dirigido por Andrew Morgan, discute vários aspectos da indústria de vestuário, desde a produção (em especial, a vida dos trabalhadores de baixa renda nos países em desenvolvimento ) até seus efeitos posteriores, como poluição de rios e solo, contaminação por pesticidas, doenças e morte. A partir de entrevistas com ambientalistas, trabalhadores do setor de vestuário, proprietários de fábricas e pessoas que organizam empresas de comércio justo, o documentário examina o consumismo e a mídia de massa, conectando-os, em última análise, ao capitalismo global.