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Pesquisadores do Cepel participam do 3º ciclo do programa Ciência Sem Fronteiras

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Pesquisadores do Cepel participam do 3º ciclo do programa Ciência Sem Fronteiras

06-10-2016

Cinco pesquisadores do Cepel participaram do terceiro ciclo do programa Ciência Sem Fronteiras (CSF), promovido pelo Governo Federal. José Francisco Moreira Pessanha, Luiz Correa Lima, José Eduardo da Rocha Alves Junior, Sergio Gomes Junior e Thiago José Masseran Antunes Parreiras ingressaram em renomadas universidades internacionais, onde desenvolveram pesquisas científicas associadas aos temas “Planejamento”, “Operação de Sistemas Elétricos” e “Laboratórios de Medição Sincrofasorial”, seja em estágio de pós-doutoramento ou doutorado-sanduíche.

 

Como nos dois primeiros ciclos do programa, a troca de experiências e o contato com outros grupos de pesquisa foram pontos sublinhados pelos especialistas que participaram desta edição, tendo bastante relevância para as linhas de pesquisa desenvolvidas, como afirma o pesquisador do Departamento de Redes Elétricas (DRE) Sergio Gomes Junior: “Para conseguirmos realizar pesquisa de alto nível, é necessário estar a par das pesquisas internacionais que estão sendo desenvolvidas, e o Programa Ciência Sem Fronteiras permite este contato internacional mais estreito [...]”.

 

O pesquisador realizou seu estágio de pós-doutorado, entre janeiro e abril deste ano, na Norwegian University of Science and Technology, na cidade de Trondheim, Noruega, dedicando-se à monitoração de oscilações em tempo real na área de análise de segurança de sistemas elétricos. “Trabalhei na utilização do PacDyn [programa computacional desenvolvido pelo Cepel] para monitorar a frequência e o amortecimento das oscilações eletromecânicas do sistema Nórdico. Foram utilizados dados de simulação fornecidos pelo meu orientador e desenvolvidos programas em linguagem Python para permitir que este sistema operasse utilizando dados de medidas reais, atualizadas constantemente. Também foram feitas diversas adaptações do PacDyn para permitir a monitoração de forma eficiente e robusta, criando um gerenciamento automático dos arquivos de resultados para posterior visualização”, explica o especialista.

 

Gomes Junior acrescenta que o trabalho foi continuado pelo também pesquisador do DRE Thiago Masseran, que realizou seu doutorado-sanduíche sobre o tema, entre abril e junho deste ano, na mesma universidade norueguesa. Masseran aplicou algoritmos que estão sendo desenvolvidos em sua tese de doutorado para redespachar o sistema nos períodos em que apresentava mau desempenho dinâmico, tornando-o mais seguro.

 

A respeito dos avanços alcançados por meio do intercâmbio, Masseran comenta: “O trabalho conjunto permitiu a superação dos problemas encontrados ao longo da pesquisa. [...] Pudemos desenvolver um protótipo de uma ferramenta computacional para a monitoração de oscilações em sistemas de potência, em tempo real, implementado no PacDyn”.

 

Já o pesquisador José Francisco Pessanha, do Departamento de Otimização Energética e Meio Ambiente (DEA), fez seu estágio de pós-doutoramento, entre janeiro e abril deste ano, no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência do Porto (INESC TEC Porto), Portugal. No período, dedicou-se à previsão probabilística de curto prazo da produção eólica, tema situado na interface das linhas de pesquisas de energias renováveis e operação de sistemas elétricos de potência.

 

Sobre os ganhos obtidos com o intercâmbio, o especialista relata: “No Cepel, participo do projeto Ventos, cujo objetivo principal consiste em desenvolver modelos de previsão da produção eólica. Antes de iniciar o estágio pós-doutoral, havia desenvolvido com o pesquisador Valk Castellani, também do DEA, um previsor determinístico da produção eólica até 24 horas à frente. A experiência advinda do pós-doutorado ampliou o escopo do projeto [...] O conhecimento adquirido encontra-se materializado em um software no qual estão implementadas duas metodologias para previsão probabilística da produção eólica até 48 horas à frente, uma contribuição que chega em um momento oportuno diante dos desafios que a maior inserção de aproveitamentos eólicos impõe à programação diária da operação e à operação em tempo real do Sistema Interligado Nacional”.

 

Em relação à relevância do Ciência Sem Fronteiras para o fomento à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação no Brasil, o pesquisador destaca: “A importância transcende a qualificação profissional dos pesquisadores brasileiros, pois, por meio deste programa, consegue-se transferir tecnologias para as empresas e centros de pesquisas nacionais com custos e prazos relativamente reduzidos e com elevado potencial de geração de inovações e patentes. [Além disso, a iniciativa] promove a divulgação dos projetos de pesquisas desenvolvidos no Brasil, abrindo oportunidades para maior inserção do país [...] no cenário internacional”.

 

O pesquisador Luiz Correa Lima, do Departamento de Automação de Sistema (DAS), também expressa sua opinião: “Com relação à pesquisa, o Programa CSF tem um potencial de identificar áreas promissoras e promover contatos com grupos de pesquisa avançados [...]. No que diz respeito a desenvolvimento, o impacto se resume a maior acesso a informação quando no exterior, já que os desenvolvimentos decorrentes devem ser focados na realidade brasileira [...]”.

 

Correa esteve na University of Birmingham, em Birmingham, Reino Unido, para fazer o pós-doutorado entre maio e julho deste ano. Durante o intercâmbio, buscou identificar na área da Ciência da Computação abordagens aplicáveis a um aumento da capacidade de monitoração e atuação sobre situações operativas complexas em ambientes de centros de controle de energia elétrica.

 

“O tempo no exterior permitiu principalmente uma dedicação exclusiva para entender o problema e identificar possíveis abordagens de soluções aliada a um maior acesso à informação do que possibilitado internamente. O estudo representou o início de uma busca por uma nova gama de técnicas e tecnologias que possam ter aplicação efetiva na resolução do problema”, diz.

 

Também fazendo pós-doutorado, o pesquisador José Eduardo da Rocha Alves Junior, do Departamento de Tecnologias da Distribuição (DTD), esteve, entre maio e julho deste ano, no KTH Royal Institute of Technology, em Estocolmo, Suécia. “O objetivo do estudo foi realizar levantamento e acompanhar as atividades do ‘Smart Transmission Systems Laboratory’ e de suas atividades de pesquisa, envolvendo aplicações de medição, proteção e controle de Sistemas Elétricos de Potência, usando unidades de medição fasorial”, elucida, acrescentando que tal laboratório é um test-bed para a pesquisa de ‘Wide Area Monitoring, Protection and Control (WAMPAC) Systems’.

 

De acordo com o especialista, os conhecimentos adquiridos estão sendo aplicados no Laboratório de Medição Fasorial Síncrona (LabPMU) do Cepel, no sentido de propiciar a avaliação dos equipamentos e ferramentas que envolvam medição sincrofasorial. “O LabPMU está adquirindo um Simulador em Tempo Real para estudos em medição sincrofasorial, e o treinamento no KTH-Suécia foi muito útil visando ao melhor uso do equipamento”, finaliza.

 

Participação nos dois primeiros ciclos do programa

 

Em 2014, cinco pesquisadores do Cepel fizeram o intercâmbio no 1º Ciclo do Ciência Sem Fronteiras: Bruno Reis e Heloisa Furtado, do Departamento de Tecnologias Especiais (DTE); Alberto Kopiler, do Departamento de Automação de Sistemas (DAS); André Diniz, do Departamento de Otimização Energética e Meio Ambiente (DEA); e Igor Visconti, do Departamento de Tecnologias de Distribuição (DTD).

 

Participaram do 2º ciclo do programa os pesquisadores Francisco Lopes e Ana Paula Cardoso, do DTE; Gilberto Azevedo, do Departamento de Redes Elétricas (DRE); e Katia Cristina Garcia e Márcio Giannini, ambos do DEA. Saiba mais aqui.

 

 

O programa

 

Uma iniciativa dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC), o Ciência Sem Fronteiras visa promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. Saiba mais em www.cienciasemfronteiras.gov.br