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O setor elétrico brasileiro em meio aos compromissos com a sustentabilidade

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O setor elétrico brasileiro em meio aos compromissos com a sustentabilidade

09-11-2016

Ao se abordar o tema ‘meio ambiente e responsabilidade social’, é preciso considerar as questões relativas às mudanças climáticas, pois estão inter-relacionadas. E quando se fala em mudanças climáticas, tecnologia se torna uma peça-chave. É preciso acelerar o desenvolvimento de tecnologias de baixa emissão de carbono para tornar seus preços acessíveis no curto espaço de tempo. E só se consegue isso com pesquisa e inovação, que é o que leva os resultados à sociedade. A análise foi feita pelo diretor-geral do Cepel, Albert Melo, na abertura da sétima edição do SMARS - Seminário Brasileiro de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do Setor Elétrico, ontem (8), na Unidade Fundão do Centro.

 

Para Melo, a realização do VII SMARS no momento em que ocorre a COP 22, em Marrakesh, no Marrocos, é algo bem oportuno, à medida que, na Conferência Mundial, estará em discussão como viabilizar com sucesso as decisões do Acordo de Paris, firmado na COP 21, ano passado. À época, o Brasil se comprometeu, dentre várias metas, a manter a política de participação elevada de fontes renováveis em sua matriz energética, atualmente em torno de 45%. No caso da matriz elétrica, o compromisso foi o de alcançar, em 2030, a participação de 23% de outras fontes renováveis – como biomassa, solar e eólica. Outro compromisso assumido foi o de assegurar que, em 2030, 10% da energia necessária sejam provenientes de ações de eficiência energética.

 

Organizado pelo Cigré-Brasil, com apoio do Cepel, o VII SMARS promove discussões técnicas a respeito dos principais desafios envolvendo o planejamento, implantação e operação de empreendimentos do setor elétrico brasileiro, diante dos compromissos com a sustentabilidade, exigências da legislação ambiental e responsabilidade social das empresas.

 

 

“O Cigré tem a missão de difundir o conhecimento relacionado às atividades de transmissão, geração e distribuição de energia elétrica e, transversalmente, promover o debate sobre questões socioambientais que permeiam tais atividades”, ressaltou a coordenadora do Comitê de Estudos de Desempenho Ambiental de Sistemas (CE-C3) do Cigré-Brasil, Silvia Helena Menezes Pires, afirmando que não há ambiente mais propício para tais discussões do que o de um centro de pesquisas como o Cepel.

 

Além de Albert Melo e Silvia Helena, compôs a mesa-diretora do evento o coordenador da comissão técnica do seminário, o pesquisador do Departamento de Otimização Energética e Meio Ambiente do Cepel Jorge Damazio.

 

Energia e desenvolvimento socioeconômico

 

Para o diretor do Centro é preciso diferenciar a situação de países desenvolvidos como a Suécia - que pretende reduzir em cerca de 10% seu consumo de energia nos próximos 10 anos - da situação de países em desenvolvimento, para os quais o investimento em infraestrutura de energia elétrica é peça fundamental para seu crescimento social e econômico.

 

Países como os BRICS estão expandido seu sistema elétrico. É o caso do Brasil. “Nos próximos 15 anos, vamos dobrar a capacidade instalada no país, hoje em torno de 145 mil MW, e, também, a rede associada de transmissão à longa distância, que terá sempre espaço num país continental como o Brasil, não obstante a penetração da geração distribuída [...] O grande desafio é como fazer isto de forma sustentável”, acrescenta.

 

Segundo Melo, quando se trata de sustentabilidade, é preciso ir além das três dimensões fundamentais – social, econômica e ambiental - para de fato concretizar. É preciso ter uma política energética e um marco regulatório que sejam promotores de desenvolvimento sustentável. E, neste sentido, algo fundamental é o planejamento, com horizontes distintos e decisões-chave e inter-relacionadas. Uma contribuição relevante do Cepel para o desenvolvimento sustentável do país é a cadeia de modelos de simulação e otimização energética.

 

“O primeiro ponto é conhecer os recursos naturais de cada país [...], mapeá-los, para, então, fazer o planejamento [...]. Se o potencial para o desenvolvimento destes recursos - sejam hídricos ou provenientes de qualquer outra fonte renovável – for tratado de forma sustentável, vai promover o desenvolvimento local e regional”, destaca Melo, acrescentando que, de acordo com o Mapa de Rotas Tecnológicas em Hidroeletricidade, uma publicação (de 2012) do Cepel em coautoria com a Agência Internacional de Energia, apenas 30% do potencial hidroelétrico do mundo foram desenvolvidos. Quando se trata da África, cai para 9%.

 

 

Em relação ao desenvolvimento hidroelétrico no Brasil, Melo destaca que tem como etapa inicial o inventário das bacias hidrográficas, realizado a partir de critérios e procedimentos contidos no Manual do Inventário Hidroelétrico de Bacias Hidrográficas (veja aqui), cuja última revisão, em 2007, foi feita pelo Cepel.

 

Na etapa de inventário, são estudadas alternativas de divisões de queda em relação às energias geradas, custos de construção, impactos socioambientais e outros planos de uso da água na bacia. As múltiplas interações são, então, avaliadas para que se encontre um equilíbrio entre os custos da produção da eletricidade e os impactos socioambientais positivos e negativos associados, bem como os usos múltiplos da água.

 

Neste contexto, o diretor do Centro ressalta, também, que o Cepel entregou, no final do mês passado, ao Ministério de Minas e Energia, o relatório final sobre o conceito de Usinas Plataformas - desenvolvido com recursos do MME e do Banco Mundial, no âmbito do Projeto Meta - para áreas de pouca ou nenhuma ação antrópica. O documento apresenta contribuições para planejar, projetar, implementar e operar usinas hidrelétricas nestas áreas, de tal forma que elas se constituam em um vetor de conservação ambiental permanente.

 

Adaptação

 

Para Melo, mais do que nunca é preciso estar preparado para se adaptar a eventos climáticos extremos. Neste contexto, clima e tempo são variáveis bastante importantes. Ele ressalta a necessidade de se reduzir o gap entre os modelos energéticos e os modelos climáticos.

 

Neste cenário, o diretor do Cepel sinaliza como, a partir dos modelos de otimização energética desenvolvidos pelo Centro, foi possível minimizar impactos negativos relacionados à escassez hídrica vivenciada no Nordeste do país nos últimos anos, bem como controlar as cheias decorrentes das grandes afluências que acometeram a região Sul.

 

Outra contribuição destacada pelo especialista foi o Sistema IGS-Relat para gestão de indicadores de sustentabilidade das empresas Eletrobras. O sistema será utilizado, de maneira pioneira, para a elaboração do Relatório Anual de Sustentabilidade do Sistema Eletrobras e para informações do GRI, Dow Jones e ISE Bovespa.

 

Melo finalizou, abordando que, no passado, os problemas socioambientais se concentravam, principalmente, em projetos de geração e que, hoje, também passam a ser relevantes em projetos de transmissão, sendo necessário aprofundar questões relativas a este tema. Neste sentido, o SMARS torna-se uma ótima oportunidade para tal.

 

A sétima edição do SMARS conta com os painéis “Questões Socioambientais no Planejamento e Desenvolvimento dos Projetos de Transmissão” e “Aspectos Sociais da Gestão da Sustentabilidade no Setor Elétrico” e com cinco Sessões Técnicas. Participam especialistas do Cepel, Eletrobras, Itaipu Binacional, Eletronuclear, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Cemig, Ligth, Copel, dentre outras instituições. O evento acontece até o final do dia de hoje (9).