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Grupo de estudo realiza primeira reunião sobre detecção e medição de corona por dispositivos ópticos e câmeras UV no Cepel

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Grupo de estudo realiza primeira reunião sobre detecção e medição de corona por dispositivos ópticos e câmeras UV no Cepel

03-04-2017

Em fevereiro, foi realizada a primeira reunião do Grupo de Trabalho (GT) nacional sobre “Detecção e Medição de Corona por Dispositivos Ópticos e Câmeras Ultravioletas (UV)”. Coordenada pelo pesquisador José Antonio Cardoso, do Departamento de Laboratórios de Adrianópolis (DLA) do Cepel e membro do Grupo de Trabalho WG D1.61 do Cigré Internacional, que se dedica ao mesmo tema, a reunião foi realizada na Unidade Adrianópolis do Centro, em Nova Iguaçu (RJ).


Sobre o novo GT, Cardoso ressalta: “Reunirá especialistas em técnicas de ensaio e medição em Alta Tensão bem como em inspeção de equipamentos no campo com foco específico na utilização de equipamentos ópticos. Além disso, possibilitará uma participação técnica efetiva de especialistas brasileiros no WG D1.61”.

 

 

Composto por representantes de Cepel, Furnas, Chesf, Eletronorte, Taesa, Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e consultores, o GT tem como objetivo desenvolver procedimentos de detecção e medição de descargas corona, utilizando tecnologia óptica, sobretudo câmeras UV, de forma a realizar análises qualitativas e quantitativas. Também visa reunir informações sobre as experiências e práticas de usuários brasileiros desta tecnologia e desenvolver um guia para inspeções em equipamentos elétricos de alta tensão no campo.


“A medição de atividade corona envolve procedimentos sofisticados e exige um treinamento adequado para os usuários da tecnologia, especialmente no que se refere à correta identificação de falhas ou defeitos em equipamentos, durante inspeções no campo. Da perspectiva do usuário, o grande objetivo é poder correlacionar o valor obtido na medição pela câmera UV com a severidade das descargas corona observadas em equipamentos, como isoladores, ferragens etc.”, afirma Cardoso.


O pesquisador também esclarece que alguns fornecedores e fabricantes da câmera alegam que a contagem de fótons permite medir de forma exata a energia radiante gerada pela descarga corona e que, por isso, pode indicar a severidade do problema. “No entanto, se a câmera não estiver calibrada para tal grandeza, e a medição não seguir um procedimento adequado, não será possível fazer uma correlação confiável para identificação do defeito ou da causa da descarga”.

 

A reunião


Na opinião dos participantes, o primeiro encontro do grupo foi bastante proveitoso, à medida que contextualizou as atividades do WG D1.61 e propiciou a realização de ensaios e posterior análise dos resultados com o objetivo de avaliar o desempenho das câmeras UV.


Para o engenheiro de Furnas Bruno Soares, a responsabilidade e expectativa são grandes. “A ideia é que possamos, com uma equipe forte de profissionais representando o país, contribuir efetivamente para o GT internacional, mantendo o Brasil como referência mundial em estudos sobre corona.”


Na avaliação do consultor Armando Nigri, a ideia de avaliar os ensaios e quantificar os problemas encontrados no sistema elétrico é ótima. “Até agora, temos usado esses equipamentos que detectam a radiação ultravioleta de forma qualitativa. Ou seja, identificamos o problema, mas não conseguimos quantificar o seu nível. Os ensaios servem para visualizarmos e mensurarmos o problema”, aponta.


O consultor complementa: “Atingindo o objetivo esperado, conseguiremos um atendimento muito melhor por parte da manutenção de linhas de transmissão e subestações, com a possibilidade de atuar neste tipo de defeito antes de ele se tornar efetivamente uma falha muito grave. Trata-se de uma manutenção preditiva”.


Para Nigri, a proposta, em longo prazo, é aprimorar o uso e praticidade dos equipamentos junto aos fabricantes. “Eles fornecem uma grande quantidade de dados de medição, mas acredito que se possa melhorar a qualidade da informação obtida, para que possamos definir o tipo de manutenção mais adequado. Então, com o GT brasileiro, pretendemos definir a metodologia e fazer com que o fabricante de equipamentos disponibilize ferramentas mais aprimoradas.”


O engenheiro Allan Sousa, da empresa Taesa, acredita que este aprimoramento irá ocorrer a partir do trabalho desenvolvido por eles: “Estamos aumentando a aplicação da câmera e ainda não há nada definido a respeito de calibração e parâmetros. A expectativa é que cheguemos a uma padronização e até mesmo a um normativo que regulamente o uso do equipamento, caracterizando uma contribuição inovadora”.


Contribuições do Cepel


Cardoso destaca que o Cepel poderá contribuir bastante para o grupo nacional, pois tem uma vasta experiência no uso da câmera UV, tanto em ensaios em laboratório, quanto em pesquisa experimental de avaliação de equipamentos e inspeções de linhas de transmissão e subestações.


“A experiência do Cepel começou com estudos básicos para inserir a câmera em suas próprias atividades laboratoriais, com a tentativa de quantificar as grandezas medidas e comparar com outras técnicas de medição consagradas, como Tensão de Radiointerferência e Descargas Parciais”, explica o pesquisador, acrescentando que tais atividades resultaram na publicação de diversos artigos sobre o assunto e contribuíram para fundamentar a criação do WG D1.61, em 2015. Leia box que apresenta duas experiências do Centro.


Grupo nacional


A engenheira e coordenadora do CE-D1 – Materiais e Tecnologias Emergentes do Cigré-Brasil, Adriana de Castro Passos Martins, aponta que “a criação de um grupo nacional que se dedique a este assunto específico tem grande importância, uma vez que todo o trabalho passará a ser realizado de maneira formal dentro da estrutura do comitê brasileiro. Além de permitir maior visibilidade sobre a contribuição brasileira ao grupo internacional, agregando o nome e apoio do Cigré-Brasil a esta importante tarefa, com o objetivo de fomentar o interesse de novos participantes e empresas”.