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Delegação de países asiáticos visita o Cepel

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Delegação de países asiáticos visita o Cepel

28-07-2017

O Cepel recebeu, recentemente, a visita de uma delegação formada por 20 executivos do Afeganistão, Butão e Nepal. Interessados em implantar empreendimentos na área de energia hidrelétrica em seus países, vieram conhecer de perto a experiência brasileira nesse segmento e participaram de uma reunião com pesquisadores do Cepel. O grupo também visitou a hidrelétrica de Itaipu e instituições como o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O evento foi promovido pela Associação de Energia dos Estados Unidos (United States Energy Association – USEA), organização que reúne instituições públicas e privadas na área de energia e mantém intercâmbio com países de diferentes continentes.


As metodologias e modelos computacionais desenvolvidos pelo Cepel destinados ao planejamento da expansão e da operação de sistemas hidrotérmicos interligados, incluindo a geração hidrelétrica e as fontes renováveis intermitentes, atraíram a atenção dos integrantes da comitiva. O grupo demonstrou interesse na implantação de projetos de base hidrelétrica e, sobretudo, em obter informações a fim de criar um ambiente de equilíbrio e consenso entre os governos de seus países, a sociedade e demais partes envolvidas nesses empreendimentos.

A delegação dos países asiáticos foi recebida pelo chefe do Departamento de Otimização Energética e Meio Ambiente (DEA), André Luiz Diniz Souto Lima, e pelo pesquisador do Departamento de Redes Elétricas (DRE), Gilberto Pires de Azevedo, que representou o chefe do DRE, Flávio de Miranda Alves. Diniz e Gilberto representaram o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Cepel, Raul Balbi Sollero, impossibilitado de comparecer. O grupo de visitantes, formado por funcionários de governo que atuam no setor de energia e por executivos da área financeira dos três países, teve à frente a coordenadora de programas sênior da USEA, Johanna Koolemans Beynen.

Interesse em geração hidrelétrica e sustentabilidade


A abertura do encontro coube a André Luiz Diniz, que deu as boas-vindas ao grupo, fez uma breve explanação sobre o Cepel, apresentou os palestrantes e os temas que foram tratados na sequência. A primeira apresentação ficou a cargo do pesquisador do DEA, Albert Cordeiro Geber de Melo, que falou sobre as atividades e linhas de pesquisa do Cepel e apresentou alguns projetos do Centro relacionados aos temas de interesse da delegação, com enfoque à geração hidrelétrica.

Albert Melo falou sobre a cadeia de modelos desenvolvida pelo Cepel para otimização da expansão da geração e do planejamento da operação do sistema elétrico brasileiro, os múltiplos usos da água, a utilização racional dos recursos hídricos e sobre os impactos sociais e ambientais dos empreendimentos de hidroeletricidade. Destacou a utilização, pelo governo e agentes do setor, da cadeia de modelos de otimização para o planejamento da expansão de longo prazo (30-40 anos à frente) e decenal, e no planejamento da operação de médio (5 anos à frente) e curto prazos (1 ano à frente), e a programação da operação e unit commitment.

A relação entre geração hidrelétrica e sustentabilidade também foi destacada por Albert Melo durante a apresentação. “Não há desenvolvimento sustentável sem energia sustentável. E para se alcançar a sustentabilidade devemos ir além dos três pilares consagrados do desenvolvimento sustentável – social, econômico e ambiental. Há a necessidade de se introduzir uma quarta dimensão: a existência de políticas energéticas e marco regulatório que sejam facilitadores e promotores da sustentabilidade, e ajustados às características de cada país ou região”, afirmou o pesquisador do DEA, lembrando que, no caso da hidroeletricidade, o primeiro passo fundamental na direção da sustentabilidade é a divisão de quedas de uma bacia hidrográfica, ressaltando a importância do Manual de Inventário editado pelo Cepel para o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Banco Mundial.

Melo compartilhou também informações sobre a operação coordenada e centralizada de todas as fontes que compõem o sistema de geração brasileiro, e a formação dos preços spot. Destacou ainda o relatório “Mapa de Rotas Tecnológicas em Hidroeletricidade, em coautoria do Cepel com a Agência Internacional de Energia (AIE), e os trabalhos da Força-Tarefa de Gases de Efeito Estufa em Reservatórios de Hidroelétricas, coordenado pelo Cepel no âmbito da AIE, onde foi desmistificada a falsa afirmação de que reservatórios de hidroelétricas em regiões tropicais são necessariamente fontes relevantes de emissão de GEE. Por fim, mencionou a finalização do relatório sobre o novo conceito denominado “Usina Plataforma”, desenvolvido para o MME e o Banco Mundial.

Perguntas sobre o desenvolvimento sustentável no Brasil

A delegação demonstrou grande interesse sobre as atividades do Cepel na área, evidenciado pelo grande número de perguntas, as quais também incluíram questões sobre o marco regulatório, o papel dos leilões para a garantia da expansão da capacidade de geração e transmissão, financiabilidade dos projetos, licenciamento socioambiental, mudanças climáticas e adaptação, e tarifação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição.


Em seguida, o chefe do DEA, André Diniz, entregou à delegação CDs com a versão em inglês do Manual de Inventário Hidroelétrico de Bacias Hidrográficas. “É de suma importância estarmos atentos e termos conhecimento dos principais aspectos relacionados ao planejamento e operação do sistema elétrico de outros países, sobretudo aqueles a cujas informações não estamos muito expostos em nossas interações com a comunidade científica internacional”, afirmou Diniz, ao avaliar o encontro.

Na sequência, o pesquisador Gilberto Pires de Azevedo fez uma apresentação sobre os programas de operação e planejamento de sistemas de energia elétrica desenvolvidos pelo Departamento de Redes Elétricas do Cepel. Os softwares são utilizados por mais de 1.500 usuários de 400 instituições, entre elas as empresas Eletrobras, companhias do setor elétrico, órgãos de governo, consultores e universidades.

“Procurei mostrar que o Cepel tem ampla experiência na área de redes elétricas, inclusive no desenvolvimento de programas computacionais. Em relação às atividades do DRE, os visitantes estavam especialmente interessados nos estudos realizados pelo Departamento na área de corrente contínua em alta tensão”, explicou Gilberto Azevedo.

Questões sobre transmissão em corrente contínua

Encerrando as palestras, o pesquisador Wo Wei Ping, também do DRE, apresentou uma visão geral sobre projetos brasileiros de transmissão de alta tensão em corrente contínua (HVDC) e sobre a tecnologia FACTS (Flexible AC Transmission Systems). Wo Wei Ping abordou, entre outros, projetos de transmissão em HVDC relacionados às usinas hidrelétricas de Itaipu, Belo Monte e do Rio Madeira, dos quais o Cepel participou.

“Houve muito interesse por parte dos visitantes nas questões relacionadas com a experiência brasileira com transmissão em corrente contínua, em especial nos casos envolvendo países vizinhos, como com o Paraguai (HVDC de Itaipu), Argentina (Back-to-Back de Garabi) e Uruguai (Back-to-Back de Melo)”, disse Wo Wei Ping. Segundo o pesquisador do DRE, Afeganistão, Butão e Nepal, ao lado de Índia, Paquistão e China, fazem parte de um grupo de países asiáticos, onde há plena consciência dos benefícios da integração energética. “Eles podem aproveitar períodos de excedentes de geração hidrelétrica disponíveis em alguns desses países, oriundos dos rios existentes na região do Himalaia”, explicou.

Após as apresentações foi realizado debate entre palestrantes e visitantes, que tiveram a oportunidade de formular uma série de perguntas. Os pesquisadores do DEA Maria Elvira Maceira e Jorge Damázio também participaram da discussão dos temas, esclarecendo questões apresentadas pelos integrantes da delegação.