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Cepel realiza primeiro Workshop de Corrosão para o Setor Elétrico do Brasil

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Cepel realiza primeiro Workshop de Corrosão para o Setor Elétrico do Brasil

01-12-2016

Entre 21 e 23 de novembro, foi realizado o I Workshop de Corrosão para o Setor Elétrico, uma iniciativa da equipe de Corrosão do Cepel, que reuniu pesquisadores e engenheiros, especialistas, fornecedores e interessados no tema Corrosão na Unidade Fundão do Centro.

 

Dentro da programação do evento, o último dia foi dedicado às Normas Eletrobras de Pintura Anticorrosiva, lançadas em julho deste ano, também no Cepel. Nesse dia, estiveram presentes José Antônio Muniz Lopes, diretor de Transmissão da Eletrobras, Albert Melo, diretor-geral do Cepel e Alcêo Mendes, diretor de Laboratórios e Pesquisa Experimental do Centro.

 

Também foram discutidos em painéis a problemática do Mexilhão Dourado e o uso de estacas helicoidais para fundações de torres de transmissão, além de novas tecnologias de tintas. Os pesquisadores Alberto Ordine, Cristina Amorim e Elber Bendinelli e o técnico Marcos Sá conduziram o evento. Abaixo, alguns dos tópicos abordados no decorrer do workshop.

 


1º Dia - Abertura


Uma palavra marcou a abertura do I Workshop de Corrosão para o Setor Elétrico: pioneirismo. Isso porque, além de o evento ser uma novidade para o setor elétrico nacional, a expressão fez parte da fala dos três representantes do Cepel que deram as boas-vindas aos participantes: Ary Vaz, chefe do Departamento de Tecnologias Especiais; Maurício Lisboa, chefe do Departamento de Laboratórios do Fundão; e Alberto Ordine, gerente do Laboratório de Corrosão do Cepel.


Ary Vaz chamou atenção para o levantamento que o Cepel vem realizando a respeito da relação custo-benefício dos processos de proteção anticorrosiva. ”No nosso país, temos uma cultura de, na hora de comprar qualquer coisa, procurar pelo menor preço. E muitas vezes o menor preço não é vantajoso. Estamos fazendo, aqui no Cepel, um trabalho bastante interessante de testar técnicas diversas de proteção anticorrosiva, registrar seus benefícios, e levantar o custo de cada uma, comparando os resultados”, explicou.


Em seguida, Maurício Lisboa apresentou o Departamento de Laboratórios e destacou a importância da pesquisa de soluções tecnológicas para o Brasil. Trazendo dados sobre investimentos em pesquisa e tecnologia em diversos países do mundo, o pesquisador procurou desmistificar a ideia de que, no Brasil, investe-se pouco nessas áreas.


“Nos últimos três anos, o investimento em P&D no Brasil girou em torno de 90 bilhões de dólares”, apontou Lisboa que, em seguida, citou: “com tanto investimento em pesquisa e desenvolvimento e com tantos trabalhos científicos sendo publicados, era de se esperar que muito de tecnologia avançada estivesse sendo produzida. Isso não acontece porque a pesquisa científica está focada demais na vida acadêmica, e o setor industrial não acredita em investimento em pesquisa e inovação, cabendo a nós, pesquisadores, a mudança desse quadro. Eventos como esse buscam exatamente isso”.

 


1º dia - Painel


O primeiro painel do workshop, intitulado “Mexilhão Dourado”, tratou do combate ao molusco que chegou ao Brasil nas águas de tanques de lastro de navios, oriundos da Ásia, e se tornou uma praga. Por falta de predadores naturais, o mexilhão tem causado uma intensa “poluição biológica”, como descreveu o pesquisador Alberto Ordine, nas águas brasileiras. Para o setor elétrico, o problema se manifesta no dano causado a equipamentos, uma vez que o mexilhão é capaz de se fixar em praticamente qualquer substrato, causando corrosão, incrustações em tubulações e travamento de turbinas, entre outros graves problemas.


O painel trouxe quatro apresentações que discutiram o assunto. Mizael Gusmão, da Companhia Hidrelétrica do São Francisco – Chesf, discorreu sobre a identificação e o combate ao mexilhão dourado em usinas hidrelétricas da empresa.


Integrante do Departamento de Laboratórios do Fundão (DLF), o pesquisador Josélio Buarque apresentou a palestra “Técnicas de inspeção de equipamentos que apresentaram o Mexilhão Dourado”.


Evandro Martin, da Jotun Protective Coatings, empresa multinacional especializada em pinturas anticorrosivas, mostrou os resultados de uma pesquisa com revestimentos frente à presença do mexilhão-zebra [molusco de água doce, nativo dos lagos do sudeste da Rússia, cuja reprodução é extremamente rápida]. Foi apresentada uma nova tecnologia à base de polisiloxanos, que vem sendo desenvolvida para combater o molusco.


Abordando a “Alternativa biotecnológica para o controle do Mexilhão Dourado”, o professor doutor Mauro Rabelo e a doutoranda Marcela Uliano, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho - UFRJ, também participaram do painel. Eles apresentaram o estudo sobre o genoma do molusco, que vem sendo desenvolvido no instituto. A proposta é fazer o controle da população do mexilhão através de engenharia genética.

 

                  

 

2º Dia – Materiais metálicos e aplicações


O segundo dia do evento abordou temas relacionados a materiais metálicos, tais como aço inox, aço galvanizado e aço patinável, bem como suas propriedades e aplicações no setor elétrico.


Com o objetivo de ressaltar a importância de boas práticas de proteção anticorrosiva, foram realizadas diferentes palestras sobre métodos de preparação de superfície, como pré-tratamento anterior à etapa de pintura. O tema foi estendido à manutenção de estruturas e equipamentos elétricos, no que se refere aos custos associados, e exemplificado por um estudo de caso apresentado pelos técnicos de Furnas Wilson Melo e Helison da Silva. Estes mostraram um trabalho sobre planejamento do serviço de manutenção na recuperação e tratamento anticorrosivo nas fundações das linhas de transmissão.


Encerrando as atividades do dia, foi apresentado um painel sobre Estacas Helicoidais em Fundações, abordando seus materiais, instalação e manutenção.

 

      

    

 

3º Dia - Normas Eletrobras de Pintura Anticorrosiva


O último dia do workshop foi voltado à consolidação das Normas Eletrobras de Pintura Anticorrosiva, lançadas em julho deste ano em evento no próprio Cepel. A elaboração das normas foi coordenada pelo Centro e pela Eletrobras, no âmbito da Comissão de Política Tecnológica da Eletrobras (CPT) e do Subcomitê de Manutenção das Empresas Eletrobras (SCMT), contando com a participação de representantes técnicos da holding, do Cepel, de Furnas, da Chesf, da Eletrosul e da Eletronorte. Leia também Empresas Eletrobras apresentam normas para tratar a corrosão de forma eficiente.

 

A abordagem do tema, de especial relevância, contou com a participação do diretor de Transmissão da Eletrobras, José Antônio Muniz Lopes; do diretor-geral do Cepel, Albert Melo; e de Alcêo Mendes, diretor de Laboratórios e Pesquisa Experimental do Cepel.


O diretor da Eletrobras parabenizou o Cepel pelo lançamento das Normas Eletrobras de Pintura Anticorrosiva – as primeiras normas técnicas da Eletrobras – e pela realização do workshop. Lopes ressaltou que o Cepel, desde sua criação, investiu na pesquisa doe pesquisou o tema corrosão, detendo grande experiência na área, apoiando as empresas do setor. O diretor acrescentou que, em um momento no qual o setor elétrico enfrenta dificuldades, é muito importante estender a vida útil dos equipamentos e instalações, e uma das formas de se fazer isso é por meio do tratamento anticorrosivo.

 

Albert Melo destacou que as Normas Eletrobras de Pintura Anticorrosiva são resultado de um esforço conjunto, sinergético, sendo muito importantes para a padronização das boas práticas de proteção anticorrosiva. “Este workshop é um segundo passo para a discussão das experiências das empresas Eletrobras e do setor como um todo a respeito de um assunto de extrema importância para a qualidade e confiabilidade na prestação de serviços de energia elétrica - que envolve a questão da manutenção e operação - e também para sua economicidade, dados os custos incorridos quando se enfrentam problemas devidos à corrosão”, afirmou.


“O lançamento das Normas Eletrobras de Pintura Anticorrosivas foi um marco para o trabalho que começa, oficialmente, agora, com esse primeiro workshop. A programação do evento é abrangente e altamente adequada ao tema”, assinalou o diretor de Laboratórios e Pesquisa Experimental do Cepel. Na abordagem da questão dos custos de manutenção decorrentes do processo corrosivo, que acabam se desdobrando em custos de operação, o diretor acrescentou: “Eles se dão de forma imediata quando se tem a perda de um equipamento, e se desdobram no médio e longo prazos em situações que se estendem ao desempenho eletroenergético do sistema elétrico nacional. Desta forma, as técnicas de proteção anticorrosiva e a experiência de cada empresa são fundamentais para prover qualidade e confiabilidade a este sistema”.


Na ocasião, Alberto Ordine, gerente do Laboratório de Corrosão do Cepel, aproveitou para ressaltar que o lançamento das normas vem acompanhado de cursos de capacitação do pessoal técnico e de projetos das empresas Eletrobras. “As normas são uma ferramenta. Juntamente com a capacitação, será possível agregar valor para que os serviços sejam realizados com qualidade garantida. As empresas do setor elétrico só têm a ganhar”, disse Ordine, assinalando que já foram realizados sete cursos até o momento.

 

As últimas palestras do workshop versaram sobre pintura anticorrosiva, experiências de aplicação das Normas, inspeção e manutenção de proteção anticorrosiva e desenvolvimento de tintas.

 

Fernando Fragata, pesquisador aposentado do Cepel, apresentou sua experiência a respeito da qualidade de tintas de poliuretano acrílico alifático. “Estas tintas possuem grande resistência à radiação solar, mas reparamos que, no mercado, por questões comerciais, são, muitas vezes, fornecidas fora de especificação e com baixa qualidade. Isso foi verificado em alguns serviços de manutenção em subestações do setor elétrico e, a partir desta informação, foi realizado um estudo para detectar qual era a estrutura do mercado em termos de fornecimento de tais produtos. A partir dos melhores, obtivemos dados relevantes, gerando uma especificação técnica que hoje está no normativo”, esclarece.

 

Bartolomeu Cordeiro, supervisor de Manutenção de Subestações na Chesf, vê na implantação das Normas Eletrobras de Pintura Anticorrosiva a principal motivação do evento. Sua apresentação foi sobre um trabalho de proteção anticorrosiva que está sendo feito em uma subestação da Chesf, a SE Camaçari. “[A subestação] apresentou um nível de corrosão acentuado, sendo ainda relativamente nova, com 24 anos de operação, por estar em uma área bastante poluída. Estamos aplicando desde o início as Normas Eletrobras”, explicou Cordeiro.

 

O engenheiro da Divisão de Linhas de Transmissão de Furnas Wendell Porto procurou demonstrar “como a empresa conseguiu absorver o conhecimento científico que o Cepel desenvolveu [as Normas] e como está colocando-o em prática”, o que vem dando resultados positivos, segundo ele.

 

Edson Santos, da Eletronorte, destacou a importância do Normativo no contexto do setor elétrico. Na sequência, apresentou um histórico do uso de Instruções de Técnicas de Manutenção (ITMs) desde 1986 até 1991, o que afirmou ser ainda “um produto muito restrito à área de manutenção”. Estes documentos geraram as Normas Eletronorte de Pintura Anticorrosiva, que serviram de base para a criação das Normas Eletrobras, atualmente vigentes.

 

A última atividade do workshop foi o painel “O que são tintas tar free?”, onde se discutiu o uso de epóxi isento ou não de alcatrão de hulha.