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Workshop no Cepel aborda perda de eficiência energética causada em motores recondicionados no Brasil

Detalhe: Notícias

Workshop no Cepel aborda perda de eficiência energética causada em motores recondicionados no Brasil

15-04-2019

“Este tema tem sido considerado como de muita importância pelo MME nos últimos anos. Principalmente por estar ligado à produtividade da indústria brasileira e à política energética do país”, afirmou a coordenadora-geral de Eficiência Energética do Ministério de Minas e Energia Samira Sousa, na abertura do II Workshop de Reparo de Motores, no último dia 11, no Auditório Principal do Cepel. Organizado pelo Grupo de Trabalho (GT) de Motores Recondicionados, criado em 2017 pelo MME e coordenado pelo Cepel, o evento foi promovido no âmbito do Projeto “Sistemas de Energia do Futuro”, uma cooperação entre o MME e a Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), Agência de Cooperação Alemã.

 


Segundo Bernardo Doerr, gerente de projetos da GIZ, o objetivo do acordo de cooperação com o Brasil é fortalecer o papel das fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, e da eficiência energética no país, assim como ocorreu na Alemanha. “O desenvolvimento das renováveis variáveis e a eficiência energética constituem os dois pilares da transição energética alemã. Mas, a eficiência energética vem em primeiro lugar, porque o melhor kWh, o mais barato, é aquele que não se consome. Portanto, nós, da GIZ, entendemos que o tema deste workshop é muito importante sob a perspectiva da eficiência energética”, assinalou Doerr.

 


O engenheiro do Procel/ Eletrobras Carlos Aparecido Ferreira parabenizou a atuação do GT de Reparo de Motores, não só pela realização de mais um workshop, mas também pelas diversas ações estratégicas realizadas nas áreas de regulação, capacitação e sensibilização, dentre outras, e acrescentou: “Considero muito apropriado a realização deste evento no Cepel, instituição de vanguarda na área de pesquisa”.

 


“Os motores são responsáveis por um quarto do consumo de energia elétrica no país. Portanto, é uma pauta que tem que estar na agenda principal de discussões do país e na agenda principal de um centro de pesquisas como o Cepel, que atua no tema desde a primeira hora”, destacou o chefe do departamento de Laboratórios do Fundão, Maurício Barreto Lisboa.

 


De acordo com o coordenador do GT de Motores Recondicionados, George Soares, assistente da Diretoria Geral do Cepel, os motores recondicionados correspondem a 35% de todos os motores vendidos anualmente no Brasil. “A venda anual de motores recuperados, no país, já chega a 2 milhões, incluindo motores trifásicos e monofásicos. É um número significativo, que demonstra o impacto deste setor”.

 


Panorama

 


Os motores elétricos são fabricados para uso em vários processos industriais, ventiladores, compressores de ar, bombas hidráulicas, elevadores, dentre outros. Com vida útil média de 17 anos, estes equipamentos podem responder por mais da metade de toda energia consumida nas instalações e processos industriais. Quando estes motores falham e não são reparados segundo os requisitos e recomendações estabelecidos pelos fabricantes, podem voltar à operação com perdas maiores do que as originais, gerando ainda mais desperdício de energia, novas falhas por sobreaquecimento e, consequentemente, elevação dos custos operacionais.

 


Segundo Samira Sousa, a regulamentação dos Motores Elétricos foi revisada em 2017, devendo entrar em vigor em agosto deste ano. Com a nova regulamentação, o Brasil passou a pertencer a um seleto grupo de países que têm, como rendimentos mínimos para os motores de indução trifásico, a categoria Premium (motores da classe IR3). “Estima-se que a energia economizada em 2030 com a nova regulamentação para motores elétricos seja da ordem de 1.830 GWh/ano, uma energia acumulada (de 2019 até 2030) de 11.200 GWh, o equivale a uma usina hidroelétrica de 440 MW e ao atendimento de 560 mil residências”, ressalta Samira.

 


De acordo com a especialista, os motores recondicionados que passam por reparos e são colocados à venda já estão contemplados nesta regulamentação. No entanto, os motores que pertencem à indústria e que sofrem reparos, ainda não. É justamente neste mercado que mais se pauta a atuação do GT de Motores Recondicionados, na tentativa de evitar as perdas de eficiência energética.

 


Desempenho de motores recondicionados

 


Um dos pontos altos do workshop foi a apresentação dos resultados da mais recente pesquisa mercadológica sobre o desempenho de motores recondicionados realizada pela ICA/Procobre1 em parceria com a PUC-Rio, considerada de fundamental importância para o trabalho do GT de Reparo de Motores, como assinala George Soares: “Somente a partir da identificação do setor é possível propor políticas públicas realmente eficazes”.

 


O estudo, que representa o maior levantamento feito no país sobre o tema, teve como foco dois mercados distintos: os motores que retornam ao mercado e são comercializados e o mercado de serviços de reparo de motores. Rodrigo Flora Calili e Rodrigo Santos Vieira, da PUC-Rio, falaram a respeito dele.

 


“Muitas empresas ainda estão fazendo recondicionamento de motores de uma forma incorreta, e isso gera, de fato, um desperdício muito grande para o país. A proposta é que esta pesquisa gere subsídios para que políticas públicas sejam elaboradas de uma forma mais assertiva, e também ajude a coibir e sanar irregularidades neste mercado”, assinalam.

 


Eles acrescentam, que muitos consumidores, atraídos por um menor preço, adquirem motores recondicionados ou solicitam que as empresas façam o serviço de reparo. Um equívoco, pois grande parte destes motores, obsoletos por conta da idade, possuem eficiência comprometida, vida útil curta e um gasto energético excessivo, acima do consumo dos motores regulamentados.

 


Os resultados da pesquisa indicam que uma perda média de 7% de rendimento ao longo da vida útil de um motor elétrico implicaria uma perda de energia de 8,4TWh/ano, o que corresponde a mais de 80% da geração de energia da Usina Nuclear de Angra I em 2016 (4,69 TWh) ou ao consumo de 4,47 milhões de residências brasileiras (157 kWh/mês cada), tomando como base as referências de consumo dos resultados do Procel em 2018.

 


O GT de Reparo de Motores

 


O GT de Motores foi criado em 2017, no âmbito do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), coordenado pelo MME. O GT é composto por 13 instituições, envolvendo o governo, organizações internacionais que fomentam a eficiência energética, academia e consumidores.

 


O GT atua nas seguintes vertentes: identificação do setor de motores recondicionados; qualificação e capacitação de profissionais; conscientização dos consumidores; normatização; criação da representatividade do setor; e rendimentos mínimos para os motores recondicionados.

 


George Soares elencou algumas das principais atividades do GT, destacando alguns saldos muito positivos, como o fato de o tema (reparo de motores) passar a constar de todos os projetos industriais do Procel e de estar sendo elaborada a primeira norma brasileira para motores recondicionados. “Esta norma é baseada na IEC – 60.0034-23, mas inclui itens de outras normas, como a sul-africana SANS 10242-1. Ela será um diferencial no setor, à medida que servirá de referência para a melhoria do serviço das empresas de reparo e poderá subsidiar o consumidor a exigir serviços mais qualificados. O Comitê é bastante atuante e prevê a entrada em consulta pública no próximo semestre”, salientou o especialista, convidando usuários e empresas a participarem de sua elaboração.

 


Projeto inovador

 


A inclusão do tema de reparo de motores nos projetos do Procel, tanto em 2017 quanto em 2018, foi um dos principais tópicos abordados por Carlos Aparecido Ferreira. O engenheiro ressalta que, este ano, o Procel realizará um projeto inovador para avaliar as técnicas de reparo no rendimento de motores brasileiros nas categorias IR1, IR2 e IR3.

 


“A proposta é adquirir 60 motores elétricos de diversas potências, diversos rendimentos, verificar sua eficiência energética, utilizando a Norma 17.094 -1/2018 e, posteriormente, danificá-los intencionalmente. Em seguida, vamos encaminhá-los para reparo em empresas de pequeno, médio e grande porte, e ensaiá-los novamente para verificar seu desempenho e ter uma avaliação laboratorial da perda de rendimentos”, assinala.

 


Cabe mencionar também a palestra de Miguel Camilo, da WEG, que descreveu as principais falhas em motores e as técnicas corretas de repará-las, enfatizando a importância de serem apropriadas para não aumentarem as perdas do equipamento.

 


O público presente no evento mostrou-se bastante participativo durante todo o workshop, esclarecendo dúvidas e acrescentando informações. “Um dos assuntos importantes discutidos foi a formação de uma associação nacional que represente as empresas do setor para tornar as políticas para o setor mais eficazes”, comenta George Soares.

 

Estiveram presentes no workshop cerca de 60 profissionais e estudantes. Glycon Garcia Junior, diretor-executivo do Procobre Brasil, destaca a presença dos reparadores:  “O evento foi excelente. Eu diria até melhor do que o primeiro.  A presença dos reparadores no evento, com perguntas bastante pertinentes,  nos deu algumas boas impressões e ideias para que nós, que fazemos parte do Grupo de Motores reformados,  possamos realizar no futuro”.  

 

O GT de Reparo de Motores realizará mais três workshops este ano, devendo lançar, em breve, uma cartilha elaborada pela PUC-RJ e patrocinada pela ICA/Procobre sobre o assunto.

 

 


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1O Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre) é uma instituição sem fins lucrativos que integra a International Copper Association (ICA).