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Diretor-geral do Cepel modera painel sobre inovação e cadeia produtiva da energia eólica no Brazil Windpower 2020

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Diretor-geral do Cepel modera painel sobre inovação e cadeia produtiva da energia eólica no Brazil Windpower 2020

30-10-2020

“Inovação desde sempre fez parte do desenvolvimento da energia eólica. Só assim é possível compreender a evolução do aproveitamento da força dos ventos, desde mais de 3 mil anos atrás até os modernos parques eólicos atuais, que, no Brasil, já respondem por cerca de 10% de toda energia elétrica produzida no país e classifica a fonte como a segunda fonte renovável na matriz elétrica nacional”. A consideração foi feita pelo diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro, no último dia 29, durante a 11ª edição do Brazil Windpower, que teve como temática “Transformação energética: um futuro verde, livre e tecnológico”.


Guerreiro foi o moderador do tradicional painel “Inovação e Cadeia Produtiva”, que, este ano, reuniu os especialistas Brian Pitel, diretor de Supply Chain para Onshore Wind na América Latina da GE; Julio Cesar Pinheiro Goes, diretor de Supply Chain da Siemens Gamesa; Eric Rodrigues, diretor de Vendas da Vestas; Marcelo Costa, diretor de Compras da Nordex Acciona; e João Paulo Silva, diretor superintendente da WEG Energia.


O diretor-geral do Cepel assinalou a consolidação do Brasil como referência internacional quando o assunto é energia eólica. Um reflexo, segundo ele, da busca permanente por parte das empresas do setor por atualização, especialmente no que diz respeito à inovação. De acordo com Guerreiro, hoje, um dos grandes desafios da indústria eólica, por conta da crescente competitividade do setor elétrico, é entregar soluções mais eficazes, que ofereçam o menor custo de produção de energia possível a seus clientes. A este respeito, destacou a longa tradição do Cepel em apoiar o desenvolvimento da energia eólica, seja no mapeamento do recurso, seja na avaliação da produção.


“Mais recentemente, estamos nos dedicando a questões mais voltadas à operação e manutenção dos parques eólicos, com uso de técnicas de monitoramento online e machine learning, para avaliação de desempenho e diagnóstico de falhas, e também ao desenvolvimento de técnicas de proteção anticorrosiva, dentre outras. Tudo visando aumentar a disponibilidade e a confiabilidade dos equipamentos e, portanto, maximizar a produção de energia”, ressaltou Guerreiro.


Para permear o debate dos painelistas, o diretor do Cepel lançou algumas questões. Dentre elas: como flutuações no câmbio afetam a cadeia produtiva; como a regra do conteúdo nacional afeta a inovação do setor elétrico; como o avanço das tecnologias de armazenamento impacta o setor elétrico; como novos modelos de negócio decorrentes de mudanças no setor poderão afetar a indústria eólica; e quais as perspectivas da energia eólica offshore no Brasil.


Um dos pontos levantados pelos debatedores é que a inovação não deve se restringir ao produto, mas envolver todo o ciclo de desenvolvimento de um projeto eólico. Neste sentido, mencionou-se o aprimoramento das campanhas de medição, que, hoje, contam com ferramentas muito mais sofisticadas, capazes de mitigar de forma mais confiável as incertezas do recurso eólico.

 


O atual desabastecimento da cadeia produtiva (e o preço de commodities, como aço e cobre), o relacionamento entre a indústria do aço e a eólica, o impacto da sazonalidade em questões como eficiência e custo, a necessidade de investimento em segurança em todos os elos da cadeia produtiva (transporte, serviços, terceiros etc) e de investimentos em tecnologias que suportem a indústria eólica e traduzam desperdícios em ganhos também foram pontuados como desafios atuais, em um cenário que tem como pano de fundo o baixo crescimento do Brasil. Uma aproximação entre academia e indústria, e o incentivo à capacitação também são tidos como fundamentais para atender à demanda interna e aumentar a competitividade do país no exterior.


E por falar em tecnologia e inovação, a WEG presenteou os 250 expectadores do evento com uma live, em que apresentou a maior bancada de testes de aerogeradores das Américas e do Hemisfério Sul, instalada em sua fábrica. A previsão é de que os testes nos dois protótipos se iniciem no início de novembro. Um dos protótipos está sendo construído no âmbito de um Projeto de P&D estratégico da Aneel, que, comentou Guerreiro, é um exemplo contundente do que pode ser feito com a aplicação de recursos de P&D. Ainda mais, neste momento, em que se discutem os efeitos da Medida Provisória 998.


Eólica offshore


Para impulsionar a offshore no Brasil, Guerreiro e os debatedores enumeraram algumas questões a serem consideradas: o fato de seu potencial estar concentrado no Nordeste, e o grande centro de carga, no Sudeste, a necessidade de um arcabouço regulatório e de licenciamento ambiental e a priorização de investimentos na cadeia produtiva, inclusive pela questão da logística, e de investimentos em tecnologias que possibilitem a exploração em lugares da costa brasileira de maior profundidade. Um ponto para reflexão é o fato de a eólica offshore não trazer tantos benefícios socioeconômicos diretos como a onshore, que, principalmente no interior do Nordeste, é um dos grandes vetores de geração de emprego e renda para as comunidades locais.


Guerreiro encerrou o painel, agradecendo a oportunidade de mediar debate de tão alto nível entre os convidados, todos vinculados a importantes fabricantes de atuação mundial.