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Cepel promove treinamento do modelo DESSEM, que estabelecerá o preço horário a partir de janeiro de 2021

Detalhes: Notícias

Cepel promove treinamento do modelo DESSEM, que estabelecerá o preço horário a partir de janeiro de 2021

10-12-2020

O Cepel realizou, nos dias 30 de novembro e 01 de dezembro, treinamento online no programa computacional DESSEM. O modelo, desenvolvido pelo Centro, vem sendo utilizado oficialmente pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) desde janeiro de 2020 para a programação diária da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) e será adotado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) a partir de janeiro de 2021 para cálculo oficial do preço horário de energia. Em ambos os processos, o DESSEM atua de forma integrada aos modelos DECOMP e NEWAVE, também desenvolvidos pelo Cepel e já utilizados oficialmente desde 2000 pelo ONS e CCEE, visando à coordenação da programação com o planejamento da operação.

 

Na avaliação do diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro, o modelo DESSEM, peça-chave do suporte técnico do processo de modernização do setor elétrico brasileiro, consolidou-se em 2020 como ferramenta de grande valor para o planejamento da operação. Sua adoção para o despacho horário das usinas e, a partir de 1º de janeiro de 2021, para a precificação horária da energia traz inequívocos benefícios para a gestão do sistema elétrico brasileiro, na medida em que permite clara e definitiva melhoria na representação das características e dos fenômenos do sistema, exigida em face da transformação substancial ocorrida nos últimos anos.

 

“De fato, a nova forma de precificação da energia, em base horária, está mais aderente à realidade operativa, capturando, de forma mais precisa, efeitos como variabilidade e intermitência das fontes renováveis modernas. Teremos uma representação mais efetiva da geração e da transmissão de energia, bem como da carga a ser atendida. E o que se espera é que o resultado final de todo esse processo possa se converter em ganhos para os consumidores e a sociedade em geral”, ressalta Guerreiro.

 

“O DESSEM tem como princípio básico determinar o despacho das usinas hidrelétricas, termoelétricas e eólicas, de forma a produzir uma solução com menor custo de operação e, principalmente, garantindo a segurança operativa do sistema, dos pontos de vista elétrico e energético”, esclarece André Diniz, chefe do Departamento de Otimização Energética e Meio Ambiente do Cepel, atual gerente do projeto DESSEM e especialista em otimização, e que tem contribuído de forma ativa no projeto DESSEM desde a sua criação, em 1998.

 

É grande o interesse do setor elétrico brasileiro no DESSEM, tanto que o curso ministrado contou com 89 profissionais de empresas geradoras e comercializadoras de energia elétrica, além de instituições como o Ministério de Minas e Energia (MME), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O principal objetivo foi capacitar os participantes em diversos aspectos metodológicos do modelo. “O objetivo foi abranger não somente aspectos técnicos relacionados à modelagem do problema e estratégia de solução, mas, também, apresentar alguns conceitos fundamentais para o entendimento dos processos de determinação do despacho do sistema e preço horário de energia, como o cálculo do custo marginal de operação na presença de restrições da rede elétrica e avaliação do custo implícito de geração das usinas hidrelétricas”, resume André.

 

Além do próprio André, o treinamento foi ministrado pelos pesquisadores Carlos Henrique Saboia, Luis Fernando Cerqueira e Renato Cabral, que compõem a equipe do projeto DESSEM e estiveram envolvidos no processo recente de validação e concepção de diversos aprimoramentos no modelo, realizados com objetivo de atender aos requisitos do processo de preço horário. “A estratégia de solução concebida para resolver um problema tão complexo em um tempo viável para a aplicação diária encontra-se no estado da arte da resolução de problemas de otimização inteiros-mistos de grande porte”, avalia Carlos Henrique Saboia, que possui mais de 15 anos de experiência na resolução de problemas desta natureza.

 

A metodologia de solução, desenvolvida para tratar principalmente as restrições relacionadas ao acionamento das unidades térmicas (unit commitment), incluindo também usinas a ciclo combinado, valeu publicação em 2020 na revista Electric Power Systems Research, uma das mais conceituadas em sistemas de potência. “O principal desafio foi ter conseguido conciliar este avanço com um aumento também no nível de detalhamento das restrições de segurança elétrica, que são tratadas de duas formas: através de um modelo linear por partes ou por meio de tabelas”, ressalta Renato Cabral, que atuou em conjunto com a equipe no desenvolvimento desta funcionalidade, que contou também com contribuições do ONS e da CCEE.

 

Na parte de modelagem das usinas hidrelétricas, mesmo já havendo um detalhamento grande de diversos aspectos, como a função de produção hidrelétrica e a propagação da água na calha dos rios, novos aprimoramentos ainda estão por vir, como as restrições de unit commitment hidráulico, cujo desenvolvimento está sendo realizado pelo Cepel e envolve a pesquisa de dissertação de mestrado do pesquisador Luís Fernando Cerqueira: “O intuito é representar o acionamento/desligamento de cada unidade geradora hidrelétrica, incorporando, também, um maior detalhamento no cálculo do rendimento das unidades geradoras e nas perdas nos condutos”, ressalta o pesquisador, cuja defesa está prevista para o primeiro semestre de 2021.

 


Participação ativa da audiência

 

Os instrutores do curso enfatizam o interesse dos participantes e o alto nível de suas contribuições ao longo do curso.

 

Fernanda Gabriela dos Santos, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), afirma que, com a maior inserção de fontes renováveis variáveis, como eólica e solar fotovoltaica, centralizadas e distribuídas, análises em bases temporais mais discretizadas se tornam cada vez mais importantes no Sistema Elétrico Brasileiro. Segundo ela, a introdução do preço horário em 2021 é um reflexo disso, aproximando a formação de preços da operação real do sistema. “A adoção do preço horário pode acarretar mudanças no perfil da carga e de geração de algumas fontes, exigindo análises adicionais nos estudos de planejamento da operação e expansão. O modelo DESSEM, que já vem sendo utilizado na programação da operação, ao permitir a leitura da Função de Custo Futuro do NEWAVE, vem ao encontro dessa necessidade do operador e do planejador”.

 

Fernanda acrescenta que o ponto forte do treinamento foi o conhecimento e a experiência do grupo de pesquisadores do DESSEM à disposição dos "alunos", respondendo aos questionamentos durante o curso e formalizando as respostas por escrito na sequência. “Mais uma vez, o Cepel mostrando o comprometimento em ouvir os usuários dos modelos que desenvolve a fim de aperfeiçoá-los”, conclui.

 

Já Renato Santos de Souza, da Gerência Setorial de Energia Elétrica do BNDES, afirma que o Banco está iniciando o uso dos modelos computacionais do Cepel nos estudos de preços e cenários para os ambientes de comercialização de energia, e o treinamento no modelo DESSEM proporcionou uma visão muito abrangente da metodologia aplicada na otimização do despacho energético. “Além disso, possibilitou uma análise aprofundada dos impactos da adoção do preço horário a partir de 2021. Parabenizamos toda a equipe do Cepel pelo curso, que foi bem didático e com excelente conteúdo, e pela trajetória inovadora e bem-sucedida de desenvolvimento dos modelos computacionais do setor elétrico”.

 

Para Erinaldo Santos, da Urca Energia, o treinamento foi de extrema relevância, apresentando conceitos sobre a metodologia, além de detalhes práticos para os usuários, o que facilitará o uso, a análise de sensibilidades e o entendimento da aplicabilidade do modelo, tanto para a operação do sistema, quanto para a precificação da energia. “Gostaria de agradecer aos instrutores do curso, como também aos organizadores, que tiveram extremo profissionalismo e engajamento, para que nenhum detalhe fosse deixado de lado”, pontua.

 

Beatriz Nogueira, da Prime Energy, também considera que o curso foi muito bem estruturado, com o conteúdo abordado de forma precisa, profundidade adequada, ótimas apresentações e explicações. E complementa: “O treinamento foi importante para melhor compreensão da metodologia do modelo, o que ajuda bastante em sua operacionalização”.

 

Dependendo da demanda dos agentes e instituições, novas edições do curso podem ser realizadas pelo Cepel futuramente, assim como cursos dos demais modelos da cadeia energética do Centro, cujo calendário pode ser acompanhado neste link. Informações adicionais sobre o programa DESSEM e outros modelos utilizados oficialmente no planejamento da operação do sistema brasileiro podem ser obtidas neste link .