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Cepel e ONS firmam acordo de cooperação para desenvolvimentos no programa computacional AnaHVDC

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Cepel e ONS firmam acordo de cooperação para desenvolvimentos no programa computacional AnaHVDC

20-08-2020

Apostando nos ganhos de tempo e precisão que o programa computacional AnaHVDC, em desenvolvimento pelo Cepel, poderá proporcionar aos estudos de desempenho dinâmico de múltiplos elos de corrente contínua, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) firmou, no final de julho, um contrato de cooperação técnica com o Centro. Dentre outros tópicos, o acordo prevê o desenvolvimento de modelagens computacionais para realização de simulações dinâmicas no Sistema Elétrico Brasileiro, segundo critérios e premissas preconizados pelo ONS, em estudos de planejamento da operação (aplicação off-line). Um objetivo futuro é também uma aplicação do AnaHVDC integrado às ferramentas do ONS para estudos em escala real de tempo, RTDS e OPAL.


Com o AnaHVDC, o analista do ONS poderá estudar o comportamento dinâmico do sistema, devido a transitórios eletromecânicos e eletromagnéticos, e a interação entre os elos de corrente contínua e entre estes e a rede de corrente alternada, incluindo a detecção de falhas de comutação.


Como assinala o pesquisador Flávio Rodrigo de Miranda Alves chefe do Departamento de Redes Elétricas do Cepel, a transmissão em corrente contínua representa uma parcela muito importante da rede de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN), com capacidade total superior a 20 GW, entregando potência gerada em aproveitamentos hidroelétricos localizados nas regiões Norte (Madeira e Belo Monte) e Sul (Itaipu), em subestações da região Sudeste. “Com a forte presença dos elos de corrente contínua no SIN, torna-se importante verificar as interações dinâmicas decorrentes da presença dos múltiplos elos de corrente contínua e os seus efeitos na estabilidade do sistema. Um dos principais fenômenos considerados é a ocorrência de falhas de comutação simultâneas, que causam uma interrupção transitória da injeção de potência dos elos de corrente contínua, cujo efeito na estabilidade eletromecânica é bastante importante e deve ser verificado”, ressalta.


No entanto, o ONS não dispõe de uma ferramenta off-line que contemple, simultaneamente, a representação precisa da falha de comutação e a dinâmica eletromecânica do SIN, que necessita da modelagem completa do sistema de potência. Nos estudos atuais, envolvendo a dinâmica dos elos de corrente contínua, a metodologia adotada pelo ONS utiliza, de forma complementar, ferramentas de transitórios eletromecânicos, como o ANATEM, desenvolvido pelo Cepel, e ferramentas de transitórios eletromagnéticos, como o PSCAD. Nessa metodologia, são utilizadas redes equivalentes reduzidas para determinação das falhas de comutação, tornando o processo bastante trabalhoso e pouco preciso.


De acordo com Mauro Pereira Muniz, gerente executivo da Diretoria de Planejamento do ONS, o advento do AnaHVDC resultará em ganhos substanciais aos estudos e às análises relacionadas com o desempenho dinâmico do SIN. “Tanto em termos processuais, reduzindo, sobremaneira, o esforço das equipes, quanto na qualidade dos resultados, eliminando imprecisões importantes. Na prática, essas imprecisões se traduzem na necessidade de adoção de maiores margens de segurança nos estudos, ou seja, em uso não otimizado das instalações de transmissão do SIN.”