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Cepel celebra 45 anos em cerimônia que reafirma sua relevância para o setor elétrico nacional

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Cepel celebra 45 anos em cerimônia que reafirma sua relevância para o setor elétrico nacional

28-03-2019

“Eu me sinto muito orgulhoso, não como ministro, mas como cidadão, de o Brasil ter instituições como o Cepel, estratégicas para o nosso desenvolvimento e para nossa sustentabilidade”, destacou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na cerimônia de 45 anos do Centro, no último dia 22, na Unidade Fundão. Na ocasião, o diretor-geral do Cepel, Marcio Szechtman, o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, Raul Balbi Sollero, e o diretor de Laboratórios e Pesquisa Experimental, Orsino Borges de Oliveira Filho, prestaram homenagem a empresas e entidades  associadas e parceiras que ajudaram a construir a história da instituição, hoje uma das maiores do gênero na América Latina.

 


Reafirmando a importância do Centro para o Ministério de Minas e Energia (MME) e para o Brasil, o ministro enfatizou que o país tem, hoje, uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e isto se deve a instituições como o Cepel. “Recentemente, participei de um evento nos Estados Unidos em que muito se falou que o mundo está realizando a transição energética. Quando me foi dada a palavra, eu disse que, no meu país, esta transição começou décadas atrás, nos anos de 1970, quando construímos Itaipu, que contribuiu para que o Brasil, hoje, seja um dos três países do mundo com matriz energética mais limpa, com cerca de 50% da geração proveniente de fontes renováveis. E isto não poderia ter sido feito se não tivéssemos organizações como o Cepel”.

 


Corroborando as palavras de Albuquerque, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, sublinhou que ter um centro de pesquisas do porte do Cepel é mais do que um privilégio, é essencial para o Grupo. “Não seríamos a maior empresa de energia da América Latina se não contássemos, desde 1974, com o suporte e a infraestrutura do Cepel, com a dedicação e o conhecimento do seu quadro de empregados e o conhecimento de seus pesquisadores”.

 


Ferreira Junior ressaltou que as linhas de pesquisa do Cepel são definidas em sintonia com os desafios tecnológicos e áreas de atuação do Grupo Eletrobras, reforçando, ainda, a visão estratégica da companhia e, especialmente do MME, no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. “A contribuição do Cepel e de seus produtos extrapolam os limites das empresas Eletrobras e beneficiam todo o sistema elétrico brasileiro, assim como a sociedade. Com produtos inovadores e serviços especializados, o Cepel consolida a competência tecnológica nacional, gerando valor e desenvolvimento econômico e ambiental, desde a interação com as universidades até o apoio a projetos de energia voltados a comunidades remotas”, complementou o presidente.

 


Preservação do papel institucional do Cepel

 


A questão da manutenção do papel institucional que foi atribuído ao Cepel quando de sua concepção, em 1971, pelo então ministro de Minas e Energia Antônio Dias Leite, foi abordada pelo diretor-geral do Centro, Marcio Szechtman, nos seguintes termos: “Hoje, decorridos 48 anos da materialização desta ideia original, o ministro Bento Albuquerque, ao presidir esta cerimônia, faz, na verdade, o devido elo de ligação entre o nosso passado, presente e futuro. Na Exposição de Motivos do ministro Dias Leite, de caráter visionário, foi vislumbrada a localização de todos os centros de pesquisas ligados ao MME em um só local, buscando maior interação entre eles. Fiéis a esta orientação estratégica realizamos, a partir de 2017, um salto grandioso na parceria com o Cenpes/Petrobras e, mais recentemente, iniciamos discussões com o Instituto de Engenharia Nuclear e o Centro de Tecnologia Mineral/MCTIC, de forma a identificarmos possíveis complementariedades para novas parcerias. O ideal do ministro Dias Leite vai, desta forma, se materializando integralmente”.

 


Para Szechtman, o Brasil, a exemplo do praticado por outros países, não pode prescindir de uma entidade da forma e objeto do Cepel, para que, além de uma potência econômica, seja uma referência tecnológica em nível mundial, compatível com sua relevância geopolítica e com a grandeza, complexidade e importância estratégica de seu sistema elétrico. Na avaliação do diretor, a decisão, neste sentido, fora tomada pelo MME, ainda nos idos de 1972/1973, embora adaptações às novas realidades possam e devam ser analisadas.

 


De acordo com Szechtman, a construção de um novo desenho organizacional para o Cepel se baseia no reconhecimento legal de que entidades privadas podem ter caráter de colaboradores institucionais do Estado. Ele cita exemplos no próprio Setor Elétrico Nacional, com a organização jurídica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). “Além disso, temos um Setor Elétrico federalizado, com uma única Agência Reguladora, a Aneel, em uma configuração claramente eficaz e muito avançada em termos regulatórios. Este núcleo privado-governamental pode ser acrescido de um Centro de Pesquisas de âmbito nacional, com funções setoriais. Isto coloca o Cepel numa posição, não de mero prestador de serviços, mas de um agente com papel de interesse do Estado Brasileiro e da sociedade, pois  o Cepel é  o único centro do Setor Elétrico concebido e preparado para esta missão”, destacou.

 


Szechtman assinalou que o Cepel está trabalhando para oferecer alternativas para um novo modelo. “O que importa é que o Cepel possa prosseguir contribuindo com produtos e serviços de excelência e soluções inovadoras para o Setor Elétrico Brasileiro, dentro de uma visão estruturante, focada em produtos e perfeitamente ajustada às nossas reais necessidades. Seja, portanto, o Cepel, reconhecido como o Centro Nacional de Pesquisas de Energia Elétrica. Estamos certos de que a sociedade brasileira irá reconhecer a sabedoria desta decisão”, concluiu.

 


Respostas tecnológicas aos desafios do setor

 


Durante a cerimônia, Szechtman rememorou alguns dos marcos do Setor Elétrico Nacional e contribuições do Cepel ao longo destas quatro décadas e meia de atuação, a exemplo dos estudos e simulações, realizados na década de 1980 no então recém-inaugurado Laboratório de Simulação de Redes Elétricas, em apoio aos trabalhos de especificação e comissionamento do elo CCAT 600 kV de Itaipu, e dos primeiros compensadores estáticos no Sistema Elétrico Nacional. Também, nessa época, teve início a operação dos laboratórios de Alta Tensão, de Alta Corrente e de Alta Potência do Centro.


O diretor sinalizou como pontos emblemáticos da década de 1990 o processo de consolidação do setor elétrico nacional, as alterações nas funções sistêmicas da Eletrobras e o surgimento de novas instituições, como o ONS e a Aneel. “A viabilização técnica da institucionalização destas entidades foi suportada pelos avanços dos softwares do Cepel, por meio de sua adoção em âmbito setorial, a exemplo dos voltados à simulação de redes elétricas, ao planejamento e operação energética, e à supervisão em tempo real do sistema”, avaliou.

 

Já nos anos 2000, com a priorização da dimensão ambiental no planejamento da expansão e operação do Sistema Interligado Nacional, a universalização do acesso de energia e a disseminação de novas fontes renováveis e o estabelecimento de um mercado de energia, merece destaque a implantação do SAGE [Sistema Aberto de Gerenciamento de Energia] no Centro Nacional de Operação do Sistema (CNOS), onde permanece operando de forma ininterrupta, 24 horas/dia, há cerca de 20 anos, e, mais recentemente, na versão ampliada e sofisticada do REGER [Rede de Gerenciamento de Energia].

 


A partir de 2010, em resposta ao avanço das fontes eólica e solar e à implantação de novos sistemas de Corrente Contínua, que passam a ser um novo elemento da rede de transmissão do país, o Cepel apresentou ferramentas mais sofisticadas de gerenciamento de redes elétricas e de otimização de geração, bem como a instalação do novo Laboratório de Ultra-Alta Tensão na Unidade Adrianópolis e a concepção do novo laboratório de Redes Elétricas Inteligentes.

 


Sinergia e reconhecimento

 


Poder contar com o Cepel como parceiro tecnológico foi uma unanimidade entre os presentes na solenidade. Várias foram as iniciativas enumeradas, em que a atuação do Centro mostrou-se decisiva.

 


Ao mencionar a longa parceria com o Cepel, o diretor-presidente de Furnas, Ricardo Medeiros, relembrou uma situação crítica para a empresa. “Não podemos esquecer o grande desligamento das linhas de Itaipu em 2009, que afetou até o sistema do Paraguai. Graças às pesquisas do Cepel, uma norma internacional foi revisada. A perturbação no sistema ocorreu em razão da não abrangência em norma da situação vivenciada naquela oportunidade, identificada no Centro. Isto, além de nos honrar, espelha o exemplo do Cepel para o Brasil e para o mundo”.

 


O diretor de Engenharia da Eletrosul, Marcos Romeu Benedetti, também compartilhou um momento da história da empresa em que o papel do Cepel foi fundamental. “Por volta dos anos 2000, a Eletrosul sofreu uma cisão, que separou a parte de geração e transmissão, e nós tivemos que nos reinventar. “O SAGE foi fundamental para introduzir a teleassistência no nosso sistema e reduzir os custos operacionais. [...] Hoje, temos 77 subestações, somente cinco com pessoal, e todas as usinas teleassistidas, e estamos trabalhando para ter no máximo três centros de operação. Tudo isso é graças ao produto robusto e eficiente do Cepel. Então, parafraseando o nosso presidente [Wilson Ferreira Junior], ‘o Cepel não é importante, é essencial para as empresas do Grupo Eletrobras’, principalmente para a Eletrosul”.

 


“Em meu nome e em nome de todos que fazem parte da Chesf, gostaria de expressar a gratidão que temos para com o Cepel, pelas parceirias feitas e pelos produtos alcançados, e desejar ao Cepel mais 45 anos de sucesso”, disse o diretor-presidente da Chesf, Fábio Lopes Alves.

 


Afirmando não existir nenhum país desenvolvido que não tenha um centro de pesquisas de energia elétrica, o diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, mostrou-se muito satisfeito com o fato de o novo governo ter “comprado” a importância de perenizar o Cepel. Barata relembrou os muitos anos de parceria entre as duas organizações e os importantes trabalhos em conjunto, em especial o REGER, que hoje permite a operação em tempo real de todo o sistema elétrico brasileiro. “Temos uma parceria de muitos anos que começa com a utilização do SAGE em nossos centros, e, posteriormente, na transformação do SAGE no REGER, uma parceria que foi, como eu diria, espetacular. Para viabilizar o REGER, o Cepel buscou parcerias com a indústria, com a Siemens e, hoje, temos um sistema que encanta o mundo. [...] Mais recentemente, temos o desenvolvimento do sistema DESSEM. Este sistema nos permitirá trabalhar com preços horários e será de fundamental importância para o desenvolvimento do Brasil”, pontuou.

 


Mencionando a contemporaneidade do Cepel e de Itaipu Binacional, que completa 45 anos em maio deste ano, o superintendente Adjunto de Itaipu, Jorge Habib Hanna El Khouri, sublinhou a importância do Cepel para o Brasil e, principalmente, para a empresa. Dentre os tantos trabalhos em conjunto, destacou: “Recentemente, Itaipu iniciou o monitoramento de suas unidades geradoras com os softwares [SOMA e IMA-DP] de inteligência desenvolvidos aqui no Cepel. O Brasil só alcançará o país que todos nós sonhamos e imaginamos, por meio da educação, da ciência e da tecnologia, e o Cepel conhece esse caminho”.

 


Juntos pela e para a inovação

 


Fernando Otavio de Freitas Peregrino, diretor executivo da Fundação Coppetec, afirmou que a construção do Cepel, na Ilha da Cidade Universitária, há 45 anos, deu início a um arranjo promotor da inovação, conceito que veio a ser instituído muitos anos depois, por meio do marco legal da inovação, Lei 13.243/2016. “A ele [Cepel], se juntaram o Cenpes e o Cetem, que consolidaram esse arranjo pioneiro Universidade-Empresa no seio da maior universidade federal do país. Junto e aliado com a Coppe/UFRJ, outra grande obra de outro brasileiro de visão, o professor Antônio Luis Coimbra, nascida há 56 anos, o Cepel cresceu e se consolidou, demonstrando ser um pilar estratégico para a indústria de energia do Brasil no seio do maior complexo de ensino, pesquisa e inovação do país, a Ilha do Fundão. E, com isso, ajudou a gerar o Parque Tecnológico da UFRJ, com suas dezenas de empresas, e a incubadora de empresas da Coppe”.

 


O gerente-geral de P&D em Refino e Gás Natural do Cenpes/Petrobras, Oscar Renê Chamberlain, reiterou a significativa parceria firmada com o Cepel. “Desde 2017, temos uma parceria para construção do futuro, uma parceria para geração de energia eólica e solar. Estamos construindo infraestrutura que dará respostas sobre geração distribuída, smart grids, a exemplo do novo laboratório”, afirmou ele, em menção ao Laboratório de Redes Elétricas Inteligentes, em fase de implantação na Unidade Adrianópolis do Cepel, que conta com recursos da Petrobras.

 


O presidente do Comitê Nacional Brasileiro de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (Cigre Brasil), Josias Matos de Araújo, fez questão de ressaltar que “o Cepel tem um grande potencial para continuar inovando e gerando grandes resultados para o setor elétrico brasileiro”.

 


Homenagem a importantes parceiros

 


Descerrada a placa alusiva aos 45 anos do Cepel, seus diretores - Marcio Szechtman, Raul Balbi Sollero e Orsino Borges de Oliveira Filho - manifestaram o reconhecimento do Centro às suas associadas-fundadoras – Eletrobras, Furnas, Chesf, Eletrosul e Eletronorte (que não pôde comparecer ao evento) – empresas associadas, parceiros institucionais e empregados, dentre eles ex-diretores, com a entrega de um singelo troféu.

 


Muito emocionado, Jerzy Lepecki, diretor-geral de 1974 a 1990, período de consolidação do Cepel, relembrou os primeiros tempos do Centro. “É realmente uma emoção estarmos aqui 45 anos depois que o Cepel iniciou as suas atividades e lembrando todo aquele tempo de preparo da parte legal, formal. Tão logo, essa parte legal ficou pronta, assumi como segundo diretor-geral e começamos a procurar um lugar para o Cepel [...] Muitas atividades foram desenvolvidas no chamado Cepelzinho, enquanto o prédio atual em que nos encontramos hoje estava em construção [...] Foram tempos heroícos, e o nosso objetivo foi sempre, desde o início, fazer um trabalho que fosse útil ao país [...] Começaram a ser desenvolvidos os sistemas de software, o Laboratório de Materiais iniciou suas atividades e vai por aí afora [...] Aqui está o Cepel, 45 anos depois”.

 


Ao término da cerimônia, os colaboradores e convidados do Cepel participaram de um coquetel de confraternização, quando assistiram a uma bela apresentação do Coral do Centro.