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A internet e os perigos associados à segurança de crianças e adolescentes

Detalhes: Notícias

A internet e os perigos associados à segurança de crianças e adolescentes

18-10-2020

O Cepel realizou, em parceria com as empresas Eletrobras e a Childhood Brasil, o webinar “Segurança Online de Crianças e Adolescentes”, na quinta-feira (15), através da plataforma MS Teams. O evento integra as ações do Programa Na Mão Certa, iniciativa da Childhood Brasil, que visa acabar com a exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras e em diversos elos das cadeias produtivas do país, incluindo empresas do setor elétrico. O Cepel aderiu ao Programa em agosto deste ano, em alinhamento ao seu Associado Fundador e principal mantenedor, a Eletrobras.


A abertura do evento ficou a cargo de Mércia Surene de Lima Fernandes, responsável pela Atividade de Comunicação e Eventos do Cepel. Para ela, o tema merece bastante atenção. ”Estamos passando por um momento muito difícil, mas é importante não nos esquecermos de cuidar de nossas crianças, nossos adolescentes. É preciso ter um olhar atento às armadilhas que estão à nossa volta. A internet é uma ferramenta muito boa, de muita utilidade, mas pode ser um meio perigoso, se nossas crianças e adolescentes não forem bem orientados. Temos de estar alertas, e este webinar traz uma ótima reflexão sobre o tema”.


Em seguida, os espectadores puderam acompanhar a palestra de Eva Cristina Dengler, gerente de Programas e Relações Empresariais da Childhood Brasil e bacharel em Comunicação Social com Especialização em Relações Públicas. Ela atua há 15 anos no desenvolvimento de projetos intersetoriais de promoção dos direitos da criança e do adolescente, com foco na prevenção e no enfrentamento da violência sexual destes grupos, incidindo em políticas públicas e privadas.


Eva Cristina iniciou sua apresentação, destacando que a violência contra crianças e adolescentes pode ser classificada de várias formas: negligência, violência física/doméstica, psicológica e sexual. Dentro do tema violência sexual, também existem duas segmentações: o abuso e a exploração.


Segundo Eva Cristina, o abuso sexual é o uso de uma criança ou adolescente para satisfação de uma ou mais pessoas mais velhas, nem sempre adultos. A palestrante explicou que o abuso sexual pode ser praticado, por exemplo, por um adolescente de 16 anos, sendo a vítima uma criança de 7 anos. Além disso, normalmente também está associado a outros modelos de violência, além de ameaça ou sedução. Na grande maioria dos casos, esse abuso é cometido por alguém que convive com a criança ou o adolescente, podendo ser uma pessoa até da própria família: “De acordo com a Organização Mundial da Saúde [OMS], 200 milhões de crianças são abusadas sexualmente no mundo. Em 80% dos casos, o agressor é alguém que a vítima conhecia” destacou, explicando, também, que abuso sexual e pedofilia são coisas distintas, sendo esta uma doença de transtorno de preferência sexual. Desta forma, poucas pessoas que violentaram menores de idade são diagnosticadas com a patologia.


Falando sobre exploração sexual, Eva Cristina comentou que a denominação é utilizada quando há um pagamento pelo ato, ou seja, a criança ou o adolescente é comercializado como um produto. Além disso, o pagamento nem sempre é feito com dinheiro, podendo envolver outros benefícios, como presentes, comidas ou uma simples carona de carro. A palestrante também ressaltou que a prostituição é uma profissão reconhecida no Brasil, desde que praticada por uma pessoa maior de idade, sem agenciamento ou facilitação. Caso contrário, trata-se de uma situação de exploração sexual, ou seja, um crime.


Para deixar clara essa diferenciação, a palestrante resumiu: “O abuso sexual acontece dentro dos ambientes familiares ou com pessoas próximas, que têm relação de poder ou sedução sobre essa criança. Já a exploração sexual está muito conectada a outros fatores, como: fatores econômicos; fuga de casa por ter sido abusada e, por estar em um novo ambiente buscando sobrevivência, passar a vender o corpo; aliciamento [...]”. A especialista afirmou que muitas dessas crianças são traficadas, aliciadas e vendidas pelo pai ou pela mãe para uma rede criminosa. Outro determinante seria o trabalho para o tráfico de drogas e, em paralelo, a venda do próprio corpo.


Eva Cristina ressaltou que a exploração sexual pode ocorrer em qualquer tipo de sociedade e nas mais diversas classes econômicas. Sobre as principais consequências que pode trazer às vítimas, destacou que o desempenho escolar do menor de idade é naturalmente afetado, assim como seu desenvolvimento físico, psicológico e social. Além disso, muitos acabam contraindo doenças sexualmente transmissíveis e se viciando em bebidas alcoólicas e outras drogas. Falando especificamente de meninas, a gravidez precoce é uma das grandes preocupações. Pesquisas comprovam que tendências suicidas também são mais frequentes em pessoas que já foram violentadas sexualmente, pois o problema é tão grave que a pessoa se questiona diversas vezes se tem algum tipo de culpa sobre aquela situação horrível que viveu ou está vivenciando.


A palestrante também relembrou a necessidade de cumprir uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): “Na meta 16.2, declaramos globalmente que iríamos acabar com o abuso, a exploração, o tráfico e todas as formas de violência contra crianças e adolescente até o ano de 2030. Nós declaramos isso como país e como mundo”.


Ambiente cibernético e violência sexual


Em tempos de pandemia, mais do que nunca estamos todos conectados na Internet, e esse foi um dos principais temas abordados na palestra: evitar que crianças e adolescentes caiam em armadilhas no ambiente cibernético. A palestrante destacou que, no mundo moderno, muitas crianças já nascem automaticamente conectadas a games, sites e redes sociais, sempre expostas a contatos com pessoas de qualquer parte do globo terrestre. Ela enfatizou que o mundo digital pode ser um local de muito aprendizado, porém é necessário sempre ter muita atenção aos riscos de violações dos direitos humanos, como é o caso da violência sexual.


Neste contexto, Eva Cristina explicou que o agressor sexual não precisa, necessariamente, ter contato físico com a pessoa. A exposição de conteúdo pornográfico infantil, por exemplo, é um destes casos. Além disso, destacou que a criança, hoje em dia, tem fácil acesso a conteúdo erótico na Internet, o que pode gerar diversos problemas, como ansiedade e depressão, à medida que tem um contato precoce com algo que ainda não entende ao certo o que é. Isso pode, inclusive, se tornar um vício.

 

Para dimensionar o problema, a palestrante apresentou diversos dados. Dentre eles, expôs que as crianças representam 33% dos usuários de Internet no mundo. Em uma projeção, foi estimado que 750 mil indivíduos se conectarão com crianças tendo objetivos sexuais. Em pesquisa, 70% dos adolescentes brasileiros afirmaram ter recebidos fotos íntimas sem pedir. Eva Cristina também relatou que a polícia europeia já retirou do ar mais de 46 milhões de imagens de vídeos de abuso sexual de crianças.

 

Por conta de tantos dados expressivos, é importante orientar uma criança ou adolescente a navegar corretamente na Internet: “A sociedade como um todo precisa saber mais sobre esse assunto. [...] Crianças e adolescentes sabem muito bem como usar um celular ou um computador, quase que de forma intuitiva. Muitas delas não têm nenhum conhecimento sobre com o quê têm que tomar cuidado e o que precisam saber. Então, eu queria lembrar a todos os pais, tios, avós que a educação é um dos pilares fundamentais dessa política de prevenção. Não estamos falando de educação sexual, mas uma educação mais abrangente. É uma educação para autoproteção mesmo. A gente precisa que pais, professores, educadores, cuidadores e as próprias crianças e adolescentes entendam o que é essa autoproteção. Trabalhar isso é fundamental”, concluiu Eva Cristina.


Sobre a temática, a palestrante recomendou a série online “Que Corpo é Esse?”, que está inserida no Projeto Crescer Sem Violência, uma parceria entre Childhood Brasil, Canal Futura e Unicef Brasil. A série foi produzida com intuito de ajudar na comunicação entre pais e filhos sobre esse tema delicado: “Você pode assistir a esse filme junto com seu filho ou filha de dois ou três anos. Depois de assistir, converse sobre isso, pois a criança vai entender o que está acontecendo na série. A linguagem é bem apropriada. [...] Temos materiais para todas as idades, justamente para trabalhar a questão da autoproteção”.

 

Ao final da apresentação, o público pôde formular perguntas à Eva. Em seguida, uma mensagem gravada por Pedro Villela Capanema Garcia, gerente da Área de Responsabilidade Social, Marca e Reputação da Eletrobras foi disponibilizada. “Há algum tempo estamos investindo em uma série de iniciativas voltadas à identificação de riscos aos Direitos Humanos na nossa própria atuação, na atuação da nossa cadeia de relacionamentos, parceiros, fornecedores, etc. Também estamos buscando sempre sensibilizar e capacitar nossos públicos de relacionamentos, interno e externo, para os temas de Direitos Humanos. O enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes é essencial nessa frente e move o Programa Na Mão Certa. Sabemos que somos empresas presentes no país inteiro e estamos inseridos em redes de milhares de fornecedores e parceiros. Então, temos o papel importante como agente que fomenta a consciência contra esse risco quanto aos Direitos Humanos, que infelizmente ainda existem. Com isso, buscamos formar um grupo ainda mais responsável e usar todo nosso poder socioeconômico em prol de uma mudança de atitude em todos os nossos públicos de relacionamento em relação aos Direitos Humanos. Nesse caso em particular, que todos se comprometam ao enfrentamento da violência sexual de crianças e adolescentes”.

 

Clique aqui para mais informações sobre o Programa Na Mão Certa.

 

Confira, também, outras indicações de Eva Cristina Dengler que ajudam a diferenciar toques de carinho e de toques abusivos.

 

• Série educativa para adultos e educadores, “Que Abuso É Esse?”:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLNM2T4DNzmq4ela0EhSWG3W1ZW_JGA9uX

 

• Série educativa para adultos e educadores, “Que Exploração É Essa?”:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLE70D89E3F1A8BDB2

 

• Livro “Pipo e Fifi”:  é um premiado livro que funciona como uma ferramenta de proteção, explicando às crianças, a partir dos 4 anos de idade, conceitos básicos sobre o corpo, sentimentos, convivência e trocas afetivas.

 

• GUIA PIPO E FIFI PARA PAIS E EDUCADORES PARA TRABALHAR O LIVRO

http://media.wix.com/ugd/5117a5_03024882cbd24773af850fdffd1b4140.pdf